Municípios pedem correção de "lapso" de 18 milhões de euros
OE2019
8 de nov. de 2018, 15:17
— Lusa/AO Online
Numa
audição conjunta das comissões que tutelam o Poder Local e o Orçamento e
Finanças no parlamento, a Associação Nacional dos Municípios
Portugueses (ANMP) considerou como genericamente positiva a proposta de
OE2019, mas a necessitar de alguns ajustamentos.Entre
estes “ajustamentos” está a falta de 18 milhões de euros para os
municípios num mapa e mais de 300 mil para as Comunidades
Intermunicipais, segundo a aplicação da Lei das Finanças Locais.“Certamente
que por lapso, porque foi garantido que a Lei das Finanças Locais
[publicada em agosto] seria integralmente cumprida”, afirmou o
presidente da ANMP, Manuel Machado (PS).Quanto
à descentralização de competências do Estado central para os
municípios, Manuel Machado afirmou não poder ainda quantificar os
valores envolvidos, nem quantos municípios vão aderir já.O
autarca disse que ainda falta consensualizar entre autarquias e Governo
diplomas relativos às áreas protegidas, às freguesias, à saúde - embora
neste caso “estejam muito adiantadas as diligências para a sua redação
final” – e o transporte de passageiros em vias navegáveis interiores.“Vemos
o processo de descentralização com redobrada atenção, mas não há
desconfiança. Continuamos a pensar que este é o melhor caminho”,
afirmou.Manuel
Machado voltou a defender o adiamento da aplicação da lei que prevê o
fim do abate de animais de companhia em canis municipais e considerou
que a verba disponibilizada, de um milhão de euros, “não é suficiente”.“É
cada vez menos suficiente. O número de recolha de animais aumentou. Tem
vindo a crescer exponencialmente o número de animais abandonados e
deixados presos junto aos canis municipais”, principalmente junto
àqueles que já realizaram investimentos e “onde os donos sabem que há
boas condições”, salientou.Por
outro lado, o também presidente da Câmara de Coimbra destacou que
faltam meios humanos, principalmente médicos veterinários municipais,
para cumprir já a lei.Manuel
Machado propôs ainda que as verbas do Imposto Municipal sobre Imóveis
sejam transferidas pela Autoridade Tributária em abril, para permitir
acomodar alguns compromissos municipais, como os pagamentos do subsídio
de férias.A
gestão das faixas de combustível, ou da limpeza de terrenos de
proprietários incumpridores, é “uma questão complexa”, em que muitas
vezes “nem o próprio proprietário sabe que o é”, segundo Manuel Machado,
que considerou que “não é justo” que os municípios tenham de realizar o
trabalho e, se não o conseguirem, ser sujeitos “à coação do corte de
20%” nas suas verbas.“Não
é aceitável. Não temos conhecimento de nenhuma sanção, penso não ter
havido nenhuma sanção, mas a ameaça de sanção aplicada por incumprimento
é inaceitável. Isto é uma função do Estado”, disse.Os
municípios continuam ainda a exigir a descida para a taxa mínima de 6%
do IVA das refeições escolares e da iluminação pública.Quanto
à criação de uma compensação municipal de Proteção Civil, Manuel
Machado defendeu que não é “aceitável que a taxa fique a cargo dos
cidadãos e deixe de fora as empresas”.Manuel
Machado salientou ainda o apoio que vai ser prestado aos bombeiros
voluntários, mas destacou que os bombeiros profissionais são suportados
apenas pelos orçamentos municipais, sem “qualquer apoio, apesar de
muitas vezes esses bombeiros até realizarem serviços noutros concelhos”.A
proposta de OE2019 prevê um aumento de verbas para os municípios de 7%
(173,2 milhões de euros) em relação a 2018, para 2.665 milhões de euros.