Municípios e empresários concordam com mais apoios à imigração nos Açores
2 de set. de 2025, 10:39
— Lusa/AO Online
“Que a questão é
pertinente, é! Que faz todo o sentido, faz! Eu diria que isto é quase
para ontem!”, realçou o presidente da AMRAA, Alexandre Gaudêncio, ouvido na Comissão de Assuntos Sociais do parlamento açoriano, reunida em
Ponta Delgada.O autarca social-democrata
recordou que os setores da restauração e da construção civil se queixam,
regularmente, da falta de mão de obra e que são necessárias medidas
como aquelas que agora são propostas pelos deputados do PS, no sentido
de facilitar a entrada a e integração desses imigrantes na região.“Nós
temos a restauração a gritar por pessoas, temos a construção civil a
gritar por pessoas, e muitas vezes esses imigrantes vêm diretamente de
outros países para cá, começam logo a trabalhar e não têm qualquer
integração social na comunidade”, recordou Alexandre Gaudêncio,
lembrando que muitos desses trabalhadores nem sequer falam português,
situação que gera sempre “alguma barreira linguística” com a comunidade
local.Opinião idêntica tem o empresário
Marcos Couto, que está a presidir à Direção da Câmara do Comércio e
Indústria dos Açores, igualmente ouvido hoje pelos deputados à
Assembleia Legislativa Regional, e que além da falta de mão de obra
estrangeira, está também preocupado com a sua devida integração na
sociedade açoriana.“Quando contratamos
fora da região, temos de ter sempre em atenção a questão da integração e
essa é uma preocupação grande que a Câmara do Comércio tem tido ao
longo dos últimos anos”, insistiu o representante dos empresários
açorianos.Marcos Couto destacou também o
papel que os imigrantes que têm escolhido os Açores para trabalhar e
para viver têm tido na dinamização da economia açoriana, que continua,
ainda assim, carente de recursos humanos em vários setores de atividade.“Os
que têm vindo, têm sido essenciais para a evolução dos Açores e da sua
economia, sendo que, obviamente precisamos de mais, tendo em conta
aquilo que tem sido a evolução económica e empresarial da região nos
últimos anos”, insistiu o representante da CCIA.A
deputada do PS ao parlamento açoriano Marlene Damião reconheceu a
importância da mão de obra estrangeira na dinamização da economia
açoriana, em setores estratégicos, como o turismo ou a construção civil,
mas lembrou que é preciso fazer mais para que esses cidadãos
estrangeiros se sintam bem integrados nos Açores.“Os
imigrantes têm de sentir que são bem integrados, que são bem-vindos nos
concelhos onde residem e o objetivo é nós tentarmos, através dos
poderes locais, integrá-los e fazer também a ponte com o tecido
empresarial de cada concelho”, realçou a parlamentar socialista.De
acordo com os dados divulgados pela bancada do PS no parlamento
açoriano, o número de imigrantes a viver e a trabalhar nos Açores
aumentou cerca de 73% nos últimos dez anos e há agora cerca de 6.000
cidadãos estrangeiros a residir nas ilhas.Os
socialistas açorianos entendem que é necessário prestar assistência a
esses imigrantes, nomeadamente, no âmbito da regularização da
residência, autorizações de trabalho, segurança social, seguro de saúde e
suporte à obtenção de alojamento, bem como garantir apoio à integração
das respetivas famílias.O PS defende
igualmente, a criação de cursos de formação profissional intensivos, um
reforço da carga horária dos cursos de Língua Portuguesa para
imigrantes, mais apoio às entidades que contribuem para a integração
social dos cidadãos imigrantes na sociedade açoriana e a criação de
espaços físicos para atendimento aos imigrantes nas ilhas do Faial,
Terceira, Pico e Santa Maria.