Municípios dos Açores enfrentam "entraves" na operacionalização dos fundos
2 de jun. de 2025, 14:36
— Lusa/AO Online
“Apesar
do esforço contínuo das câmaras municipais dos Açores, é hoje claro que
os municípios açorianos enfrentam entraves estruturais na
operacionalização dos fundos, não por falta de capacidade ou empenho
técnico das autarquias, mas devido a uma série de constrangimentos
externos”, refere a Associação de Municípios da Região Autónoma dos
Açores (AMRAA), em comunicado.A AMRAA,
presidida pelo autarca da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio, aponta
como principais causas a “publicação tardia de avisos”, a “ausência de
resposta célere a candidaturas” – algumas das quais pendentes “há vários
meses” –, a “dualidade de critérios na análise dos projetos” e,
sobretudo, “as fragilidades no funcionamento administrativo da Entidade
de Gestão do Açores 2030 que, em vez de facilitar a ação das
autarquias”, tem sido “um constrangimento adicional à sua capacidade de
resposta e execução”.A situação está "a
colocar em causa o investimento público previsto, comprometendo a
execução orçamental dos municípios, com possíveis consequências
gravíssimas", que podem incluir "cortes em transferências do Orçamento
de Estado, com impacto direto e negativo nas populações locais",
sustenta.De acordo com a AMRAA, a meio do
período de programação, a taxa de aprovação dos fundos "é de apenas 9%,
tendo sido aprovados pouco mais de 14 milhões de euros, de um plafond
acordado de 161 milhões de euros".A
associação diz que tem vindo a alertar para a burocracia dos processos,
que são "mal articulados" e revelam "falta de rigor e de método da
entidade gestora"."A própria AMRAA
aguardou cerca de três anos pelo financiamento dos planos de ação de
base territorial, um atraso inaceitável que compromete a gestão corrente
da Associação", denuncia. A associação
considera que "já não é possível manter" uma postura apenas colaborativa
"sobre a gravidade da situação", exigindo “verdade, transparência e
ação urgente” por parte das autoridades regionais e nacionais, incluindo
o Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), a Entidade de Gestão do
Açores 2030 e a Entidade de Gestão Nacional."O
momento exige coragem técnica e política, clareza institucional e
respeito pelas autarquias locais, que são pilares fundamentais do
desenvolvimento regional", considera a AMRAA, que pede a criação de
"mecanismos eficazes" de apoio técnico, simplificação de processos e
cumprimento de prazos.