Municípios dos Açores contra redução de serviços nos balcões da CGD
24 de out. de 2024, 16:05
— Lusa/AO Online
“Este ato de gestão não afeta
apenas o acesso a serviços bancários essenciais, especialmente às
populações mais envelhecidas e com dificuldades de utilização e acesso a
novas tecnologias, como também compromete a inclusão financeira das
populações, particularmente nas áreas mais isoladas”, refere a
associação em comunicado enviado à agência Lusa.O
Público noticiou na terça-feira, em manchete, que a CGD pretende
reduzir serviços "no interior e ilhas" ao transformar dezenas de
agências que até aqui ofereciam todos as funcionalidades (designadamente
levantar e depositar dinheiro ao balcão) em espaços mais pequenos e com
menor oferta.“Os Açores, caracterizados
pela sua dispersão geográfica e particularidades socioeconómicas,
dependem de uma rede sólida de serviços financeiros que atenda às
necessidades dos cidadãos e das empresas locais”, considera a AMRAA.Para
a associação, “a diminuição de serviços destes balcões agrava a já
fragilizada situação de muitos munícipes, dificultando o acesso a
créditos, à gestão de poupanças e a serviços básicos que são cruciais
para o dia-a-dia”.“Esta circunstância, que
afetará várias agências, nomeadamente três em São Miguel, duas no Pico,
uma em São Jorge e outra nas Flores, não pode ser obliterada pelo poder
local, especialmente porque se trata de uma empresa pública que, não
comprometendo a sua eficiência, deverá pugnar pelo cumprimento de
valores acometidos ao serviço público, em benefício das populações e em
prol do desenvolvimento do país”, lê-se.A
AMRAA considera que a CGD “desempenha um papel importante no
desenvolvimento económico e social da região” e a sua presença “é vital
para fomentar a economia local e garantir que todos os cidadãos tenham
oportunidades equitativas”.“A redução em
serviços dos balcões representa um retrocesso na inclusão financeira,
forçando, eventualmente, os clientes a deslocações mais longas e
invertendo a lógica das políticas de coesão territorial, social e
económica que tem vindo a imperar no Estado Português. Além disso,
convém ressalvar que as reduções de serviços tem levado, não raras
vezes, a posteriores encerramentos a médio prazo”, acrescenta.A
Associação de Municípios dos Açores apela à administração da CGD e ao
Governo da República para reconsiderarem a decisão e manterem “intacta a
rede e os serviços dos balcões nos Açores”.