Municípios com um superávite de 466 milhões de euros em 2018
30 de out. de 2019, 07:24
— Lusa/AO Online
“Pelo
quinto ano consecutivo” os municípios portugueses registam um
superávite, sublinhou hoje, em declarações à agência Lusa, Manuel
Machado, que também é presidente da Câmara de Coimbra.Os municípios são “o único subsetor da administração pública” que gera excedente, lucro de exercício, destacou.Estes
e outros indicadores do “Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses
2018” – que é apresentado na quarta-feira, em Lisboa – “recomendam que
haja uma nova perspetiva de olhar o poder local democrático e a encarar
medidas para dignificar e exercício desta função”, sustenta.“Os
municípios e os autarcas são, muitas vezes, maltratados”,
designadamente porque se “confunde a árvore com a floresta”, acrescenta.“A
média europeia de cidadãos por município é de 27 mil habitantes e em
Portugal é de 33 mil” por concelho, salienta Manuel Machado, de acordo
com dados da publicação da Ordem dos Contabilistas Certificados, do
Centro de Investigação em Contabilidade e Fiscalidade do Instituto
Politécnico do Cávado e do Ave, o Tribunal de Contas e do Centro de
Investigação em Ciência Política a Universidade do Minho.“Apenas
cinco países da União Europeia apresentam valores [da dimensão
demográfica por município] superiores a Portugal: Dinamarca, Holanda,
Irlanda, reino Unido e Suécia”, sublinha o presidente da ANMP.O
peso da despesa municipal no âmbito do total da despesa da
administração pública na Europa é, em média, de 23,8%, mas em Portugal é
de 12,6% (só inferior na Grécia e na Irlanda), destaca ainda Manuel
Machado.Não menos significativo é o facto
de o investimento municipal na Europa representar, em média, 36% do
investimento público, considerado globalmente, mas em Portugal sobe para
52%, “valor que só é superado pela Finlândia, por França e pela
Itália”, exemplifica ainda o presidente da Associação de Municípios,
insistindo na necessidade de “encarar o poder local com outros olhos”.