Municípios avisam que “é imprescindível” rever critérios de delegação de competências
1 de abr. de 2022, 11:25
— Lusa/AO Online
À margem da
cerimónia que assinalou a transferência de competências na Ação Social
do Estado para a Câmara de Matosinhos, a também presidente daquela
autarquia do distrito do Porto, Luísa Salgueiro, salientou que “as
câmaras municipais não estão com folga nos seus orçamentos para
acrescentarem despesa”, pedindo um “canal de diálogo” entre Governo e
poder local.“Esta transferência [de
competências] dá-se num dos momentos mais difíceis da nossa vida
coletiva e tem grandes impactos nas contas […], e portanto não pode, por
via da delegação de competências, agravar-se a situação financeiras das
autarquias”, indicou.Por isso, Luísa
Salgueiro deixou um aviso ao executivo nacional: “Deve voltar a ver os
critérios para que não aconteça uma situação de agravamento da situação
financeira das autarquias. É imprescindível que reveja”, alertou.Assumindo
ser “uma entusiasta da delegação de competências”, Luísa Salgueiro,
eleita pelo PS, explicou que este “não é um processo que termina hoje” e
admitiu haver alguns problemas, mas sublinhou que a descentralização é
um passo necessário.“Não podemos manter o
poder todo concentrado em Lisboa, não podemos ter um discurso
regionalista e, por outro lado, num momento em que é possível aceitar
competências, dizer que não. Nós queremos a descentralização, queremos
as novas competências”, defendeu.A autarca
referiu ser “importante que se mantenha um diálogo, um processo
dinâmico com os vários ministérios envolvidos, porque há ainda problemas
para ultrapassar e também há problemas do ponto de vista financeiro -
nem sempre as contas estão equilibradas”.A
ANMP, garantiu, continuará envolvida no processo, fazendo chegar às
várias tutelas as dificuldades “do ponto de vista material, na gestão
dos edifícios, dos funcionários, problemas financeiros que estejam
associados”, porque, explicou, o desejo é que haja “um avanço nos erviço
às populações” e não “mais constrangimentos às câmaras municipais”.Segundo
Luísa Salgueiro, os maiores problemas estão na área da Saúde, por os
autarcas verificarem que “não existe uma coincidência entre a avaliação
[de custos] que fazem e a aquela que é transmitida pelas Administrações
Regionais de Saúde”, e na área da Educação.“O
ponto mais crítico é na área da Educação. Não está prevista a
assinatura de nenhum auto para que essa transferência se opere. A partir
de hoje, nos termos da lei, automaticamente essa transferência ocorre
[…]. Algumas câmaras não concordam, porque compreendemos que há uma
fatura acrescida para as câmaras municipais”, apontou.Nesta
área, Luísa Salgueiro destacou a posição da Câmara do Porto: o
município “fez um estudo que revela que vai ter um grande défice nesta
área”, pelo que “entende que não deve operar”, tendo intentado uma
providência cautelar para não ser obrigada a aceitar a delegação de
competências.“A partir do momento em que
esta discussão passa para a esfera judicial, já não tenho mais nada a
comentar a não ser que se aguarde pela decisão judicial”, disse.Quanto
a Matosinhos, a autarca mostrou-se satisfeita com a passagem de
competências na Área da Ação Social, sublinhando as melhorias
conseguidas com a gestão do município na área da Educação.“Falo
enquanto presidente de uma câmara que há muito recebeu as competências
na Educação e que nos tem permitido grandes avanços nesta que é uma área
decisiva. Matosinhos aproveitou essas competências não só para promover
aquilo que são as politicas nacionais, mas para criar instrumentos
locais, criando novas competências, novas disciplinas […]. Vejo grandes
ganhos”, referiu.