Municípios assumem competências descentralizadas pela administração central em 01 de abril
24 de dez. de 2021, 15:10
— Lusa/AO Online
A descentralização de competências da
administração central para os municípios decorre desde 2019 e a
conclusão do processo já foi adiada devido ao atraso na publicação de
alguns diplomas setoriais, nomeadamente na educação, saúde e ação
social, áreas mais complexas e que envolvem também a transferência de
montantes financeiros do Estado para os municípios.Na
resolução final do congresso da Associação Nacional de Municípios
Portugueses, que decorreu este mês, em Aveiro, os municípios criticaram o
centralismo do Estado e reclamaram o aprofundamento da descentralização
de competências e “a criação de um nível regional” que seja "um meio de
aprofundamento da descentralização administrativa no quadro da
reorganização do Estado".No entanto, o
grupo dos autarcas social-democratas defendeu o adiamento, mais uma vez,
do processo para o fim de dezembro de 2022, considerando não existirem
condições para aceitar a transferência de competências até 31 de março,
sobretudo quando ainda não existe um Orçamento do Estado (OE) aprovado
para 2022.A proposta de OE2022, rejeitada
no parlamento, previa um Fundo de Financiamento da Descentralização
(FFD) de 832 milhões de euros (ME) relativamente à transferência de
competências no próximo ano entre abril, altura em que se tornam
obrigatórias, e dezembro.Segundo o
documento rejeitado, a maior fatia desta verba, de 718 ME, caberia à
educação, seguida pela saúde, com uma verba de cerca de 70 ME, a ação
social, com cerca de 42 ME, e a cultura, com cerca de 1 ME.Pelo
seu lado, a ministra da Modernização do Estado, Alexandra Leitão, tem
recusado o adiamento, considerando que está tudo preparado.Aos
autarcas, Alexandra Leitão assegurou que o Governo, mesmo sem OE2022,
está em condições de transferir para as autarquias as verbas relativas
às competências a descentralizar.Segundo a
ministra, todos os 278 municípios do continente já assumiram pelo menos
uma das competências e 75 deles assumiram todas as competências
disponíveis.Num ano em que se realizaram
eleições autárquicas, o relatório trimestral de acompanhamento da
descentralização, publicado em setembro último, refere que, até ao final
de junho de 2021, apenas 98 municípios tinham aceitado competências na
educação (um número que não se alterou desde o final de 2020) e 20 na
saúde.Tinham sido assinados 16 autos de
transferência de competências na área da cultura com 14 municípios -
elevando para 25 os autos assinados desde setembro de 2020 e até essa
data -, enquanto outras 21 minutas de autos aguardavam a aprovação
municipal.Relativamente à área da ação
social, o último dos diplomas setoriais, apenas em outubro foi publicado
um despacho com os montantes do FFD para esta área, apontando uma
transferência global de 56,1 milhões de euros para os 278 municípios do
continente.Além da educação, saúde, ação
social e cultura, os municípios recebem competências nas áreas de
habitação, justiça, atendimento ao cidadão, património público sem
utilização, estacionamento público, vias de comunicação, áreas
portuárias, praias, jogos de fortuna ou de azar, cogestão de áreas
protegidas, proteção civil, policiamento de proximidade, segurança
contra incêndios, transporte em vias navegáveis interiores, arborização e
rearborização e associações de bombeiros.O
processo de descentralização envolve ainda a transferência de
competências que pertencem aos municípios para as freguesias através da
celebração de autos de transferência entre as duas autarquias.Este processo tem merecido críticas da Associação Nacional de Freguesias (Anafre) porque tem tido uma evolução lenta.Até
ao final de junho, apenas 85 municípios tinham assinado estes autos com
um total de 795 freguesias, correspondendo a 31,9 milhões de euros.