Municípios apostam sobretudo na habitação, respostas sociais e infraestruturas
24 de jun. de 2025, 17:47
— Lusa
Numa
auditoria à execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) pelas
entidades da administração local até 15 de março de 2024, o TdC apontou
ainda "atrasos significativos em vários projetos, alguns dos quais já
não eram compatíveis com as datas-limite definidas" pelo programa.Segundo
o TdC, até 15 de março deste ano, as entidades da administração local
tinham visto a aprovação de 2.766 projetos locais no valor de 2.140,7
milhões de euros, equivalentes a 13% do total do PRR.“Estes
investimentos concentram-se, sobretudo, nas áreas da habitação, das
respostas sociais e das infraestruturas”, é destacado no documento, hoje
divulgado.Os municípios detinham, até 15
de março de 2024, 88% dos projetos e 82% do financiamento (1.745,3 ME)
atribuído à administração local.Em termos
brutos, os 35 municípios situados nas áreas metropolitanas absorveram
metade deste financiamento aprovado para todos os municípios do
continente (869,2 ME), tendo a Área Metropolitana de Lisboa recebido
596,9 ME e a do Porto 272,3 ME.No entanto,
feitas as contas per capita, os municípios do interior e menos
populosos são tendencialmente os que registam maiores valores de
financiamento.Na componente Habitação, os
municípios tinham, até 15 de março, um financiamento global aprovado de
882,4 ME, representando 40% do total das verbas do PRR alocadas a essa
componente até essa data.Quanto às verbas
para Respostas Sociais, até à mesma data estavam aprovados cerca de
270,0 ME, montante que representa 41% do total de financiamento PRR
destinado a essa componente. A maior parte
desse valor (73%) foi entregue ao desenvolvimento de projetos junto das
comunidades desfavorecidas dos municípios das áreas metropolitanas.Os
municípios tinham ainda 145,4 ME aprovados para reforçar a capacidade
do Serviço Nacional de Saúde (SNS) nos cuidados de saúde primários, nos
cuidados continuados e paliativos, nos hospitais e na transição digital
na saúde, valor que representa 14% do total de financiamento PRR nesta
componente.“Verificou-se que, nalguns
casos, designadamente nos que foram objeto de candidatura em 2022,
existe alguma demora no avanço das operações”, é descrito no relatório,
salientando que “não existem evidências” de que tenha existido um
mapeamento das instalações e equipamentos considerados prioritários
relativamente à construção de novas unidades de saúde através do
financiamento concedido aos municípios.O
valor global atribuído ao eixo da Cultura era de 82,2 ME (30% do total
de financiamento PRR alocado a essa componente), mas já então,
relativamente às operações de investimento analisadas, os prazos
previstos não foram cumpridos, “constatando-se, em todos os casos,
atrasos significativos face ao que se encontrava projetado”.“Em
alguns casos, face ao cronograma de execução da obra, é improvável que
os investimentos estejam concluídos antes de março de 2026, a
data-limite determinada pelo PRR”, é sublinhado.Até
meados de março do ano passado, 4% das freguesias do continente tinham
aprovadas 121 candidaturas no PRR, representando um total de
financiamento de 31,4 ME, cerca de metade do qual (15,6 ME) relativo a
cinco projetos relacionados com investimentos habitacionais, sobretudo
da freguesia de Benfica, em Lisboa.O TdC
detetou que os prazos contratualizados foram ultrapassados, embora
“pressupondo-se que os cronogramas apresentados são realistas”, a
execução seja “ainda compatível com o prazo limite definido no PRR”.Relativamente
às freguesias, assinalou também “situações em que não se comprovou (…)
capacidade técnica, administrativa e financeira e/ou um sistema de
controlo interno adequado aos investimentos”.O
TdC detetou ainda diversas falhas na recolha de informações e de
evidências sobre a evolução dos investimentos da administração local,
uma vez que o Sistema de Gestão de Informação do PRR (SCI) “não reflete
de forma completa, atual e precisa, os dados financeiros dos
investimentos, assim como os contratos públicos associados”, a executar
por entidades da administração local.O
Tribunal recomendou às várias entidades envolvidas uma melhoria da
qualidade da informação financeira relativa à execução dos investimentos
e o cumprimento regular das obrigações de monitorização, o que
facilitará a avaliação e a auditoria dos progressos realizados.