Município da Praia da Vitória aprova regulamento para vender terrenos do bairro de Santa Rita
18 de set. de 2019, 08:22
— Lusa/AO Online
“É uma urbanização com uma dinâmica social
muito díspar. Temos pessoas com diversas faixas etárias, com diversas
avaliações socioeconómicas, com diversos graus da titularidade sobre as
respetivas casas”, disse à Lusa o presidente da Câmara da Praia da
Vitória, Tibério Dinis (PS).Segundo o
autarca, “há pessoas que têm cadernetas prediais em seu nome, há pessoas
que não têm as cadernetas prediais em seu nome, mas têm comprovativos
de morada de anos e anos”, frisando que “cada caso é um caso bastante
específico”.Em causa está um bairro
construído na década de 1950, em terrenos arrendados, para acolher
militares norte-americanos colocados na base das Lajes, na Praia da
Vitória, numa altura em que o parque habitacional da ilha Terceira tinha
uma capacidade limitada.Na década de
1990, as casas foram vendidas a portugueses, mas os terrenos nunca
chegaram a ser comprados e o diferendo entre moradores e proprietários
arrastou-se durante anos nos tribunais.Desde
2003 que a maioria dos moradores (cerca de 100 famílias) deixou de
pagar rendas, segundo dizem, por recomendação da câmara municipal, o que
motivou vários despejos, um em 2015 e outros 13 em 2018.Em
setembro do ano passado, a Câmara da Praia da Vitória chegou a acordo
com os proprietários para adquirir os terrenos por quatro milhões de
euros, em quatro anos, vendendo-os posteriormente aos moradores.O
regulamento, que ainda terá de ser submetido à aprovação da Assembleia
Municipal, onde o PS tem maioria absoluta, estabelece que os lotes e
frações do bairro onde foram erguidas construções que constituem
habituação própria e permanente serão “alienados por ajuste direto e por
hasta pública aos respetivos moradores”, segundo uma nota de imprensa
da autarquia.O preço da alienação por
ajuste direto é de 24 euros por metro quadrado, valor que consta da
avaliação que suportou a aquisição dos terrenos totais (habitações e
arruamentos) por parte do município e que está inscrito na Comissão do
Mercado de Valores Mobiliários.De acordo
com Tibério Dinis, se todos os moradores adquirirem os terrenos, a
autarquia receberá cerca de 1,1 milhões de euros, contando com o apoio
do Governo da República para fazer face à restante despesa com a
aquisição.Até ao momento, o executivo
nacional ainda não transferiu qualquer verba para o município da Praia
da Vitória, mas o autarca lembrou que esse apoio consta de uma norma do
Orçamento do Estado para 2019.“Não está, nem de perto nem de longe, em dívida o Governo da República perante a câmara municipal”, afirmou.Até
ao final deste ano, deverão ser realizados os contratos-promessa de
compra e venda, mas o pagamento poderá ser feito até março de 2022.“Nunca
houve uma demonstração de vontade por escrito de quem pretende
efetivamente adquirir. O que no âmbito deste regulamento é solicitado é
que até ao final do ano aqueles que tenham condições de adquirir
manifestem essa vontade”, explicou Tibério Dinis.Podem
adquirir os terrenos os moradores que têm caderneta predial em seu
nome, as pessoas que a têm, mas não utilizam aquelas casas como
habitação própria permanente ou, no caso de estas não quererem adquirir
os terrenos, os arrendatários. As famílias
que não tenham condições para aceder a créditos bancários podem propor
ao município um plano de pagamento em prestações, que não ultrapasse os
10 anos, desde que apresentem prova de recusa de três entidades
bancárias.O regulamento prevê ainda a
possibilidade de transmissão do direito da aquisição para filhos ou
cônjuges, caso os proprietários tenham uma idade mais avançada.
“O objetivo do regulamento é que no final seja tudo dos moradores”,
salientou o autarca, dizendo acreditar que será possível encontrar uma
solução para todas as famílias.Segundo Tibério Dinis, o município vai realizar reuniões individuais com cada família para estudar as soluções existentes.A
primeira prestação da aquisição dos terrenos aos proprietários, no
valor de 1,1 milhões de euros, paga em março deste ano, obrigou a
autarquia a contrair um empréstimo de curta duração.O
Orçamento do Estado para 2019 prevê “auxílios no âmbito da legalização
do bairro americano de Santa Rita”, sem referir montantes, autorizando o
Ministério do Ambiente a “aplicar verbas no cumprimento dos
compromissos emergentes da legalização do denominado bairro americano de
Santa Rita”.