Município da Paia da Vitória deixa de cobrar derrama aos empresários
13 de jan. de 2020, 17:00
— Lusa/AO Online
“Não era um
compromisso eleitoral, mas era um objetivo em que trabalhávamos. Fruto
do trabalho ao nível da sustentabilidade das finanças municipais, com a
reestruturação que temos vindo a desencadear e a realizar, é permitido
libertar meios e, portanto, haver o fim da derrama para os empresários
da Praia da Vitória”, adiantou o presidente da Câmara Municipal da Praia
da Vitória, Tibério Dinis (PS), em declarações à agência Lusa.Segundo
o autarca, a isenção do imposto sobre o lucro tributável das empresas
vai levar a uma quebra de receita na ordem dos 150 mil euros, mas o
orçamento deste ano será superior ao de 2019 em cerca de dois milhões de
euros, na sequência do aumento de candidaturas a fundos comunitários.“Além
do programa operacional Açores 2020, em que somos das autarquias com
mais projetos aprovados e com melhor execução, procurámos também outros
financiamentos comunitários, que correspondessem a necessidades da Praia
da Vitória”, apontou.Tibério Dinis deu
como exemplos uma candidatura ao programa ‘Life’ para sustentabilidade
dos areais da Praia da Vitória, orçado em 1,2 milhões de euros, com
comparticipação a 50%, e uma candidatura ao ‘EEA Grants’ (mecanismo
financeiro do espaço económico europeu), para um projeto de salvaguarda
do património cultural, que envolverá a requalificação de vários
edifícios no concelho, orçado em 650 mil euros.O
orçamento do município para 2020 é de 18,2 milhões de euros, mas a
somar os orçamentos da empresa municipal Praia Ambiente (4,2 milhões de
euros) e da cooperativa Praia Cultural (3,6 milhões de euros) e a
participação de 40% na empresa intermunicipal de gestão de resíduos
Teramb (1,8 milhões de euros), o orçamento do grupo municipal é de 27,8
milhões de euros.No final do ano, a dívida
do município deverá ser de 5,7 milhões de euros e a dívida do grupo
municipal de 15 milhões de euros, o que, segundo o autarca, prevê uma
redução de cerca de 1 milhão de euros, face a 2019.“A
câmara municipal continua a ter capacidade de endividamento e de
investimento. A maior prova disso é a forte execução dos fundos
comunitários. Outra prova disso é a redução da derrama”, sublinhou o
autarca. Entre os principais projetos do
município para este ano estão a aquisição dos terrenos do parque
empresarial das Lajes, com um custo de 600 mil euros, a obra de
prolongamento da marginal, com eixo pedonal e ciclovia, que deverá
arrancar “no final do verão” e só este ano tem orçados 475 mil euros, e o
plano integrado de regeneração urbana sustentável.A
aquisição dos terrenos do bairro ilegal de Santa Rita, por quatro
milhões de euros, durante quatro anos, continua também a ter um peso
significativo no orçamento (um milhão de euros por ano).O orçamento foi aprovado em assembleia municipal com os votos a favor do PS, os votos contra do PSD e a abstenção do CDS-PP.Em
comunicado de imprensa, os social-democratas justificaram o voto contra
com a repetição de projetos não concretizados e com a “má opção ao
nível da cobrança de impostos”, já que o município não devolve os 5% de
IRS aos cidadãos.“Não nos revemos nas
prioridades identificadas pela câmara como sendo as mais importantes
para o concelho. Vemos sim uma repetição de projetos vão ficando por
cumprir ao longo dos anos”, afirmou o líder da bancada social-democrata
Clélio Meneses, criticando ainda a falta de investimento na rede viária,
no parque habitacional e no parque escolar.Já
o deputado Pedro Pinto, do CDS-PP, disse que, apesar de o partido não
se “identificar na totalidade com o orçamento proposto”, reconhece “o
esforço que este executivo socialista está a fazer para por as contas em
ordem, coisa que não foi feita pelo executivo anterior”.“Não podemos votar contra só porque não é o nosso orçamento”, justificou.