Mundo estava a reduzir pobreza até à chegada da pandemia
17 de jul. de 2020, 08:52
— Lusa/AO Online
A conclusão está contida no relatório do
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), intitulado
“Iniciativa de Pobreza e de Desenvolvimento Humano de Oxford (OPHI, na
sigla em inglês), em que foram estudados os dados de 75 países.Segundo
o documento, 65 dos 75 países estudados tinham reduzido “de forma
notável” os níveis de pobreza multidimensional entre 2000 e 2019,
destacando-se, entre eles, a Serra Leoa, o Estado que progrediu com
maior rapidez.Entre os dez países com
maiores progressos sete são oriundos da África Subsaariana, como a Costa
do Marfim, Guiné-Conacri, Libéria, Mauritânia ou Ruanda.A
Índia, por seu lado, viu o maior número de pessoas a sair da pobreza
multidimensional, calculada observando critérios financeiros, como
salários, e de acesso a serviços básicos, como água potável, educação,
saúde, eletricidade e alimentação.O
relatório refere que entre 2005 e 2015, cerca de 270 milhões de indianos
saíram da pobreza multidimensional, números à frente da China (70
milhões entre 2010 e 2014), e do Bangladesh (19 milhões de 2014 a 2019).No
entanto, adverte a OPHI, o surgimento do novo coronavírus, que
rapidamente se estendeu a pandemia, vai ter um “forte impacto” nos
importantes avanços a nível mundial ligados à pobreza multidimensional.“A
covid-19 está a ter um impacto profundo no desenvolvimento. Mas os
dados obtidos antes da pandemia oferecem uma mensagem de esperança”,
disse a diretora da OPHI, Sabina Alkire.Embora
não estejam ainda disponíveis informações suficientes para calcular o
aumento da pobreza multidimensional desde o início da pandemia, as
simulações feitas em 70 países em vias de desenvolvimento, baseadas num
impacto antecipado do vírus, sugerem que poderá afetá-la
“profundamente”.Se 10%, 25% ou 50% das
pessoas que vivem em pobreza multidimensional começarem a sofrer de
malnutrição e metade das crianças em idade escolar deixarem de
frequentar o ensino, a pobreza poderá voltar aos níveis de há oito ou
dez anos, assinala-se no documento.“A
covid-19 é a mais recente crise a golpear o mundo. E as alterações
climáticas garantem que vão surgir mais. Cada uma delas afetará os
pobres de muitas formas”, frisou o representante do PNUD Pedro
Conceição.“Mais do que nunca, devemos
trabalhar em conjunto para enfrentar a pobreza, bem como a
vulnerabilidade à pobreza, em todas as suas formas. É por isso que o
Índice de Pobreza Multidimensional é tão importante”, acrescentou.Dos
1.300 milhões de pessoas que ainda vivem em pobreza multidimensional,
assevera o relatório, metade tem menos de 18 anos, enquanto 107 milhões
têm idade superior a 60 anos.A pandemia de
covid-19 já provocou mais de 584 mil mortos e infetou mais de 13,58
milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito
pela agência francesa AFP.