Mundo deve atingir neutralidade carbónica na próxima década
COP29
13 de nov. de 2024, 15:39
— Lusa/AO Online
Os 120
cientistas que colaboraram no estudo, da organização “Global Carbon
Project”, estimam que o mundo deve ter como objetivo zero emissões
líquidas de dióxido de carbono (CO2) até ao final da década de 2030, se
quiser conter o aquecimento global a 1,5°C, em comparação com o final do
século XIX. A meta é muito mais cedo do
que 2050, a data atualmente prevista por cerca de 100 países, incluindo a
maioria dos países ricos, os mesmos que estão relutantes em acelerar os
esforços climáticos na cimeira do clima que esta semana começou no
Azerbaijão.Professor da Universidade
britânica de Exeter, Pierre Friedlingstein disse que “ainda não há
qualquer indicação de que a utilização de combustíveis fósseis tenha
atingido o seu pico”.O regresso de Donald
Trump ao poder nos Estados Unidos durante quatro anos, de janeiro de
2025 a janeiro de 2029, está a complicar os esforços para acelerar a
redução das emissões de gases com efeito de estufa, numa década
considerada decisiva para o clima deste século.Os
Estados Unidos emitem atualmente 11% das emissões mundiais, atrás da
China (30%). Mas Donald Trump poderá retirar o país do acordo quase
universal adotado em 2015, o Acordo de Paris. Atualmente, apenas o Irão,
o Iémen e a Líbia não fazem parte do acordo.No
terceiro dia da COP29 os países ainda estão longe de chegar a um
consenso sobre o financiamento do clima, segundo um novo projeto de
acordo publicado hoje.No documento, a
maioria dos países em desenvolvimento pede “pelo menos 1.300 mil milhões
de dólares por ano” de ajuda dos países ricos, entre muitas outras
propostas.A COP29 deste ano (de 11 a 22 de
novembro) deverá terminar com um novo objetivo de financiamento dos
países em desenvolvimento (“Novo Objetivo Coletivo Quantificado”, ou
NCQG) para os ajudar a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa
e a adaptarem-se às alterações climáticas.O
novo objetivo substituirá o fixado em 2009, que apelava aos países
ricos para que concedessem 100 mil milhões de dólares por ano de
financiamento aos países em desenvolvimento, um valor que mal foi
alcançado em 2022.Antes da COP, o Egito e a
Austrália, nomeados para resumir anos de disputas entre o Norte e o
Sul, já tinham elaborado um primeiro projeto de texto, que foi rejeitado
na terça-feira pelos países em desenvolvimento, que concordaram
unanimemente que era demasiado favorável aos países ricos.Os
países ricos consideram irrealista comprometerem-se com valores
sugeridos por países mais pobres, tendo em conta o estado das suas
finanças públicas e a falta de apoio dos Estados Unidos de Donald Trump,
e ainda não revelaram números dos futuros compromissos de ajuda.