Multiplicidade artística em destaque na edição de 2025 do Tremor
Hoje 12:06
— Ana Carvalho Melo
O festival Tremor regressa à ilha de São Miguel entre 24 e 28 de março, para uma 13.ª edição marcada pela “multiplicidade de linguagens artísticas e de ideias musicais” que, segundo a organização, este ano está “particularmente presente no cartaz”.Ao Açoriano Oriental Joaquim Durães, diretor artístico do festival Tremor, explica que o ponto central continua a ser a música, mas num registo em que esta é “muito maleável e permeável a outras influências” e em que “influencia também outras atividades artísticas”, sublinha a direção do festival.Ao longo de cinco dias, o Tremor volta a articular concertos com vários programas especiais, entre os quais o Tremor Todo o Terreno e o Tremor na Estufa, bem como exposições, workshops, conversas e menus de degustação.“Neste momento, estamos na preparação das peças artísticas e de todos os programas especiais do festival”, explica Joaquim Durães, salientando que o objetivo passa por consolidar o Tremor como “festival-experiência”, que vai além da programação estritamente musical.O alinhamento deste ano é descrito como “um dos mais interessantes e multifacetados” da história do festival, juntando nomes da música contemporânea internacional a uma forte presença de artistas locais e açorianos.“Faz todo o sentido para nós sermos palco e plataforma para a divulgação da música contemporânea açoriana”, refere a direção, sublinhando a importância de colocar artistas da região “lado a lado” com projetos de outros países.Amijas, Angine de Poitrine, Arsenal Mikebe feat. HHY, BETIX, Cate Le Bon, João Freitas, Heinali & Andriana-Yaroslava Saienko apresentam “(Hildegard)”, Maki, Mariana Lopes, Neuza Furtado e Tomás Sampaio + Marta Tavares foram os últimos artistas anunciados.Para além da programação musical, o Tremor mantém uma aposta clara na relação com a comunidade e com o tecido associativo da ilha. Entre os projetos estruturantes destaca-se o projeto Som Sim Zero, desenvolvido com a Associação de Surdos de São Miguel, músicos da ilha e o coletivo ondamarela. Este ano, o projeto terá um enfoque especial na colaboração com músicos de heavy metal açoriano, numa “celebração de um estilo de música que está muito presente na vida de muitas pessoas nos Açores e no mundo inteiro”.Joaquim Durães realça ainda a colaboração de longa data com a Escola de Música de Rabo de Peixe, que tem dado origem a “alguns dos concertos e espetáculos mais memoráveis” do festival.“Muita gente que nos visita já sabe que estes projetos existem e quer perceber como estão a evoluir e de que forma são apresentados. São, de certa forma, cabeças de cartaz do festival”, observa.Em termos de adesão, o Tremor continua a registar forte procura, esgotando habitualmente “semanas ou até meses antes” da sua realização. Joaquim Durães destaca a diversidade do público, que inclui visitantes do continente, público internacional e um núcleo significativo de participantes locais. A existência de bilhetes semanais e de fim de semana é pensada, precisamente, para “as pessoas que vivem na ilha e que trabalham, mas que querem aceder ao festival à noite”, explica a direção.Nomeado para os Iberian Festival Awards em várias categorias, entre as quais Melhor Festival Pequeno, Melhor Cobertura em Vídeo, Igualdade, Melhor Promoção Turística, Melhor Estratégia de Comunicação e Marketing e Prémio Inovação, o Tremor vê nesta distinção um sinal de reconhecimento do trabalho desenvolvido.“Não fazemos o festival por causa dos prémios, mas acabam por ser um espelho do trabalho que está a ser feito”, conclui.