"São precisas medidas que corrijam estes comportamentos (deixar
lixo nas praias) e por isso temos intenção de, em colaboração com
concessionários e autarquias, criar regras que obriguem os
concessionários e lhes deem poder para evitar este tipo de
comportamentos, (por exemplo) multas, mas multas a sério e cobradas na
hora", disse Ana Paula Vitorino a jornalistas portugueses em Malta à
margem da conferência Our Ocean 2017 organizada pela União Europeia."Poderá
haver quem pense que tal tipo de medidas é atentatório da liberdade
individual mas eu penso que a maioria dos portugueses pensará que serão
medidas de proteção do nosso património natural", afirmou Ana Paula
Vitorino. A ministra do Mar admitiu a introdução de multas quando
a questão do combate à poluição dos oceanos por resíduos plásticos se
impõe como um dos principais desafios a que governos e instituições
pretendem dar resposta, no caminho que estão a iniciar no sentido de um
enquadramento global de governação e utilização sustentável dos oceanos.A
quantidade de plástico que chega aos oceanos está calculada em 10.000
toneladas por ano e estudos recentes estimam que em 2050 existirá mais
plástico que peixe nos oceanos do mundo.Ana Paula Vitorino disse
hoje que o combate à poluição por resíduos plásticos nos oceanos
"exigirá um grande esforço de mudança de hábitos de desperdício e de
recuperação de hábitos como a compra de produtos a granel, dispensando
sempre que possível as embalagens".E, sem avançar prazos ou
pormenores, a ministra do Mar adiantou que na sua área de tutela está a
ser preparada legislação para regular e reduzir a utilização de
embalagens.A conferência Our Ocean (Nosso Oceano) 2017 reúne em
Malta hoje e sexta-feira cerca de 1000 participantes, entre ministros,
instituições, organizações não-governamentais, empresas e cientistas, em
representação de 61 países.