Mulheres representam um terço da liderança das federações desportivas
Hoje 15:32
— Lusa/AO Online
Nas
30 federações internacionais que integram a Associação das Federações
Olímpicas de Desportos de Verão (ASOIF, na sigla inglesa), 32,02% dos
cargos executivos são ocupados por mulheres, cerca de um terço, mas o
“Estudo SIGA 2026 sobre a representatividade feminina nos órgãos
executivos de topo das federações desportivas internacionais” considera
que “são necessários esforços para sustentar e acelerar esta
trajetória”.Esta conclusão resulta da
subida de 18,3% de mulheres nestes cargos em 2018 para os quase 32,02%
registados este ano, mantendo-se a predominância masculina entre no
dirigismo de topo nestas federações dos desportos olímpicos (81,7% em
2018, 82,2% em 2020, 71,2% em 2024 e 67,98% em 2026).Apesar
de o Comité Olímpico Internacional (COI) ser pela primeira vez liderado
por uma mulher, a antiga nadadora zimbabueana Kirsty Coventry, apenas
três das 30 federações (10%) são, segundo o estudo, presididas por
mulheres, casos das suecas Annika Sörenstam (golfe) e Petra Sörling
(ténis de mesa) e da tailandesa Khunying Patama Leeswadtrakul
(badminton).O número aumenta um pouco
entre as diretoras executivas ou secretárias-gerais, para cinco
(16,67%), em modalidades como ciclismo, esgrima, equestre, pentatlo
moderno e escalada, mas a SIGA conclui que, "apesar do aumento da
consciencialização e participação, são necessárias medidas urgentes para
sustentar e aumentar este progresso".O
estudo analisou 659 cargos executivos, uma média de 22 por órgão de
governação, confirmando a sub-representação feminina nos lugares mais
altos da hierarquia desportiva.Segundo
este relatório, a World Athletics tornou-se na primeira federação
internacional de topo a alcançar a paridade, com 50% de representantes
masculinos e femininos ao nível diretivo (13 de cada sexo), seguindo-se
as estruturas de equestre (47,62%, 10 mulheres em 21) e ténis de mesa
(45,45%, cinco em 11), enquanto, em números absolutos, as organizações
de natação (World Aquatics tem 17 mulheres em 40 cargos, com 42,5%) e de
vela (World Sailing, 15 em 44, 34,09%).No
polo oposto, estão as federações de andebol (10%), canoagem (13,33%),
ténis (17,65%), lutas amadoras (20%) e basquetebol (21,43%).Perante
estes números, a SIGA apela às federações internacionais a adoção de
reformas de governação mensuráveis que acelerem a igualdade de género,
com medidas como desenvolvimento de percursos de liderança e apoio aos
programas anuais de mentoria da SIGAWomen para mulheres na governação do
desporto, entre outras.Esta estrutura da
SIGA foi lançada em 2018 para promover a liderança feminina, a igualdade
de género e a boa governação no desporto.“Não
pode haver integridade no desporto enquanto a sua liderança permanecer
predominantemente masculina. A verdadeira integridade não pode coexistir
com o desequilíbrio estrutural e a verdadeira meritocracia não pode
prosperar onde a oportunidade não é igualmente acessível", lamentou o
português Emanuel Macedo de Medeiros, cofundador e recém-reeleito
diretor executivo da SIGA até 2030.Apesar
de lamentar a diminuição de mulheres na presidência de federações
internacionais até diminuiu, de quatro, em 2024, para três, com a saída
da espanhola Marisol Casada da liderança da União Internacional de
Trialo, Medeiros elogiou a paridade da World Athletics, assim como as
oito federações com 40% de mulheres dirigentes de topo, num total de 21
acima de um terço.