Mulheres com risco de pobreza superior aos homens por terem salários mais baixos
15 de out. de 2025, 11:44
— Lusa/AO Online
“As
mulheres têm um risco de pobreza superior aos homens (17,6% face a
15,4%), o que corresponde a cerca de 980.000 mulheres, em virtude de os
seus salários serem em geral muito baixos, assim como todas as
prestações que deles dependem”, apontam os dados divulgados a propósito
do Dia Internacional Erradicação Pobreza, que se assinala na
sexta-feira.Sem o sistema público de
Segurança Social, a CIMH destaca que “o número de pobres subiria para
perto de 4,3 milhões de pessoas (40,3% do total)”, segundo dados de 2023
do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento do Instituto Nacional de
Estatística (INE), aumentando a percentagem de mulheres pobres para
42,5%, num total de 2,361 milhões.A
comissão destaca que, mesmo após transferências sociais (sobretudo
provenientes da Segurança Social), o risco de pobreza era
“particularmente elevado” entre as trabalhadoras desempregadas,
atingindo 42,7% em 2023, “devido à fraca cobertura e baixo valor das
prestações de desemprego”, um valor superior aos dos anos anteriores. Sem as transferências sociais, esta percentagem ascenderia a 64,1%.Entre
as mulheres reformadas, o risco de pobreza situa-se nos 21,2%, o valor
mais elevado desde 2007, enquanto nas mulheres trabalhadoras é de 8,3%,
num total de 206.000 mulheres, salientando a CIMH que tal demonstra que
“há trabalhadoras que empobrecem a trabalhar devido aos salários muito
baixos que auferem”. Sem as transferências
sociais, o risco de pobreza alcançaria os 87,7% entre as mulheres
reformadas e 17,6% entre as mulheres trabalhadoras, acrescenta. Conjugando
o risco de pobreza com outros dois indicadores - privação material
severa e intensidade laboral ‘per capita’ muito reduzida –, a Comissão
Igualdade Mulheres e Homens aponta que, em 2024, eram cerca de 2,1
milhões as pessoas residentes em Portugal que se encontravam em situação
de pobreza ou exclusão social mesmo após transferências sociais. “Mais
do que discursos politicamente corretos de quem governa, precisamos de
políticas que resolvam os problemas do dia a dia”, sustenta a CIMH,
considerando que a proposta de Orçamento do Estado para 2026 (OE2026) e o
anteprojeto legislativo Portugal XXI (para revisão da legislação
laboral) “confirmam o diagnóstico, mas negam as soluções para o
problema, o que antecipa o seu agravamento futuro”.Para
a CIMH da CGTP, o combate à pobreza, em particular das mulheres, passa
pelo aumento geral dos salários e das pensões de reforma, pela garantia
de emprego estável, pela promoção da contratação coletiva como
“instrumento essencial para garantir uma melhor e mais justa
distribuição da riqueza”, pela responsabilidade partilhada no trabalho
doméstico e de cuidados, pela redução da sobrecarga das despesas com a
habitação e pela defesa da saúde física e mental das mulheres.