Muitas pessoas ainda cumprem tradição nos Açores e compram árvores de Natal naturais
7 de dez. de 2023, 10:33
— Lusa/AO Online
Semelhante a um
pinheiro, a criptoméria é mais dispendiosa do que uma árvore artificial,
mas muitos açorianos preferem manter a tradição e ter uma árvore de
Natal natural em casa.Vendedor de árvores
de Natal há 50 anos, Álvaro Oliveira, de 63, natural das Sete Cidades,
na ilha de São Miguel, é testemunha dessa preferência dos açorianos e
diz que nunca perdeu um ano de vendas.Os
seus olhos iluminam-se ao evocar os tempos em que aquela emblemática
praça de Ponta Delgada, situada junto ao Santuário do Senhor Santo
Cristo dos Milagres, ficava rodeada de várias centenas de árvores.Álvaro
Oliveira assistiu ao apogeu do negócio de venda da criptoméria, quando
se “vendiam milhares de árvores”, até que as artificiais introduziram um
novo paradigma.Mas a venda das naturais
persiste e o negócio promete continuar já que conta com o empenho do seu
filho, que o auxilia desde os 9 anos.Álvaro
Oliveira recordou que chegou a ter, “nos bons tempos, nove ou dez
lugares de venda de árvores” espalhados pela cidade de Ponta Delgada.“Ainda
vem muita gente comprar aqui a árvore de Natal de criptoméria, que
começa nos 25 euros e pode atingir os 100 euros, dependendo do
exemplar”, disse à Lusa, recordando o tempo em que não havia abrigos
para se proteger da chuva, do vento e do frio e se “dormitava por entre
as árvores”.Hoje, pernoitam no Campo São
Francisco em abrigos fornecidos pela Câmara Municipal de Ponta Delgada,
equipados com eletricidade. O vendedor
salvaguarda que “são geralmente sempre as mesmas pessoas que procuram a
árvore de Natal de criptoméria porque gostam do natal tradicional”.Além
da árvore, os amantes do Natal tradicional compram também o musgo, a
madeira, as pedras embelezadas e o farelo (madeira triturada e pintada
de várias cores).São todos ingredientes
indispensáveis nos presépios, juntando-se aos bonecos de barro com as
figuras típicas de Natal, como o menino Jesus, Maria e José, a par dos
animais e reis magos, bem como figuras tradicionais a retratarem a
sociedade açoriana na sua perspetiva social e cultural. A
família de Evaristo Carvalho também não deixou cair a tradição das
vendas de criptomérias no Campo de São Francisco na época do Natal.Natural
das Sete Cidades, o vendedor disse à Lusa que os lucros “não pagam o
frio e chuva”, mas admitiu que este negócio “está no sangue”.“Se
eu tirar as minhas férias e trabalhar como pedreiro dá mais certo do
que isto, mas este negócio está no sangue e, quando chega a dezembro, o
Natal não é a mesma coisa sem esta presença”, afirmou Evaristo Carvalho.O
vendedor admitiu que esta é também uma “fonte de receita extra nos dias
difíceis que correm” e que sempre ajuda “para se comprar mais alguma
coisinha para o Natal”.Maria de Deus,
natural do Nordeste, é uma cliente habitual do Campo São Francisco no
Natal porque “para lembrar a quadra não há como o cheirinho da árvore de
criptoméria”.Para João Carvalho, que
também costuma ir àquela praça comprar árvores naturais, além de cumprir
uma tradição natalícia, esta é “uma forma de contribuir financeiramente
para os vendedores” num cenário de dificuldades devido à inflação e
combustíveis elevados.Até 24 de dezembro,
centenas de pessoas vão dirigir-se ao Campo São Francisco em busca da
árvore de criptoméria, na esperança de alegrar o seu natal com aroma,
mas há também aqueles que se dirigem ao local por este ser um ‘spot’ do
Natal.