Muita euforia no primeiro Dia da Criança pós-pandemia
2 de jun. de 2022, 10:14
— Carolina Moreira
Em Ponta Delgada, o centro histórico
encheu-se de crianças do pré-escolar ao primeiro ciclo, confirmando-se a
previsão da autarquia de reunir mais de 2700 meninos e meninas.No
meio dos ‘pula-pulas’, das atividades educativas e das fotos com as
mascotes de desenhos animados, eram visíveis os sorrisos rasgados com um
toque avermelhado dos gelados do Homem-Aranha que eram oferecidos aos
miúdos e graúdos que os acompanhavam.Após dois anos de pandemia, em
que as crianças se viram privadas de convívio, houve lugar a várias
estreias nas celebrações do Dia da Criança, como foi o caso de Joel, com
9 anos, da escola EB1/JI do Livramento.“É a primeira vez que venho a
um Dia da Criança na cidade por causa da pandemia. Agora quero vir
todos os anos”, confessou entre risos. Ao jornal, disse estar a gostar
“muito” do dia. “Já fui à Polícia, aos ‘pula-pulas’ e até recebi um
lápis. Também fui ver os animais, mas não peguei neles”, contou.O
dia de ontem foi também uma estreia para Isabel, com 7 anos, da escola
EB1/JI Prof. Dr. Alexandre Linhares Furtado, na Fajã de Baixo.“Está a
ser divertido, já fizemos quase todas as atividades menos o
‘pula-pula’”, relatou enquanto se preparava para tirar os ténis e entrar
no insuflável. “Aquilo que eu gostei mais foi de tirar fotos com o
Mickey”, confessou.No meio do entusiasmo, e apesar da tenra idade,
Isabel não quis deixar de fazer um reparo ao ambiente à sua volta: “É um
bocadinho esquisito ver toda a gente junta sem máscara. Parece que
acabou a Covid, mas ainda não acabou”, constatou.A sua professora,
Natália Bettencourt, salientou que foi “a primeira vez que saí com eles
de autocarro”. “Os miúdos vieram felicíssimos. Só ficam tristes com as
filas para conseguirem fazer as atividades, mas estão a adorar o Dia da
Criança”, disse.Na fila para as atividades da Unidade de Saúde de
Ilha de São Miguel, o jornal encontrou uma turma do 4.º ano do Colégio
do Castanheiro.Os alunos Francisco e Isabel, ambos com 9 anos,
regozijaram-se, quase de imediato, com o regresso às comemorações do Dia
da Criança. “Já tínhamos vindo há uns anos, mas parámos por causa
da pandemia. Estamos muito felizes por voltar, é muito giro, tem muitas
pessoas e está a ser muito divertido estar aqui porque assim também
descansamos das aulas”, frisaram.Até ao momento, já tinham realizado
jogos de matemática, frequentado o “planeta da fruta, dos cereais e do
leite” e até comido “bolachas Mulata dos Açores e gelados”.Apesar da
alegria que diziam sentir, apontaram ser “estranho ver tantos colegas
juntos aqui, porque estivemos muito tempo fechados em casa”, mas “é
muito giro estarmos a voltar cá e estarmos a relembrar o passado”,
relataram.Já a colega de turma Beatriz, também com 9 anos, fez
questão de explicar ao jornal o impacto da pandemia na sua vida. “Quando
entrámos em quarentena fiquei triste e depois de estarmos tanto tempo
em casa já não me lembrava da maior parte das pessoas”, salientou, por
isso disse sentir-se “muito feliz” por voltar a celebrar o Dia da
Criança em Ponta Delgada.A professora Renata Monteiro relatou que
“os miúdos estavam ansiosos por voltarem a fazer atividades deste
género. Esta turma nos últimos anos foi muito vitimizada pela pandemia,
em termos de saídas do Colégio e da participação em atividades para a
idade deles. De maneira que, para eles, está a ser muito giro, estão
muito entusiasmados e estamos a tentar chegar um pouco a cada um dos
ateliers, mas não sei se vamos conseguir, vamos ver”, contou.Segundo
Renata Monteiro, “a primeira coisa que os alunos nos disseram quando
saíram do autocarro foi ‘Como é que vai ser? Não temos máscara...’ e
eles nem usam máscara! Deu para perceber a sua preocupação e alguns
deles estão até um pouco incomodados com a situação, mas pronto faz
parte e temos de recuperar o tempo perdido e tentar regressar à
normalidade”, salientou.Não obstante a estranheza das crianças com
os aglomerados, reinou a euforia no centro histórico de Ponta Delgada e a
promessa de regressar no próximo ano.