Mudanças de comportamento nos idosos podem indiciar patologias
24 de nov. de 2024, 17:00
— Lusa
Os
sinais são diferentes para cada pessoa e muitas vezes incipientes,
sendo o único risco poderem passar despercebidos, disse a coordenadora
da Unidade de Geriatria da Unidade Local de Saúde (ULS) São José, Heidi
Gruner, defendendo que estar atento ao idoso e pedir que participe na
vida ativa da família é, por si só, suficiente.
Há sinais que aparecem e podem passar despercebidos, como não querer
estar com os netos ou não querer comer, mas são pequenos dados que
apontam que está para aparecer qualquer coisa que pode ser patológica,
disse a especialista.Quando as coisas
começam a ser diferentes, é sinal de alarme e é necessário fazer uma
revisão à saúde da pessoa, defendeu a médica internista, recomendando às
pessoas que adquiram antecipadamente rotinas saudáveis que possam vir a
manter na velhice. Alterações do normal
comportamento são importantes porque nesta idade mais avançada acontece
entrar-se na rotina de que mais se gosta e algumas rotinas são
perigosas, como não sair de casa, explicou Heidi Gruner."Hoje
sabe-se que ter uma componente de socialização e de estímulo é
importante para contrariar o desenvolvimento de certas patologias, o
mais comum as ligadas às funções neurocognitivas e à depressão", disse o
coordenador do serviço de Psiquiatria Geriátrica no Hospital Júlio de
Matos da ULS São José, João Reis. Sinais
de alerta no idoso, além do isolamento continuado, é não ter objetivos
de vida nem se adaptar à mudança do ciclo de vida que representou a
ausência de trabalho regular, nem ter outras atividades, complementa a
psicóloga clínica do Hospital Júlio de Matos, Carla Mariz.Isolamento,
apatia, não querer estar com outros porque de alguma forma se sente mal
consigo próprio revelam muitas vezes situações neurocognitivas, reforça
Carla Mariz, lembrando que os sinais de mudança têm de ser
interpretados à luz do que a pessoa já era antes de envelhecer Por
vezes isolam-se, não é porque estão deprimidos, mas porque têm uma dor e
não querem dizer, adianta Heidi Gruner, recomendando aos mais velhos a
realização anual de exames médicos aos sentidos, incluindo avaliação
ocular, da cavidade oral e auditiva, porque deixar de ouvir impede de
comunicar e abre caminho para a demência.A
ajuda à pessoa idosa só deve ser feita naquilo que o próprio deixar os
outros ajudar, sendo de evitar ser paternalista, e deve-se informar a
pessoa idosa, por exemplo, dos benefícios em ir a uma consulta de
otorrino se não ouve bem, segundo João Reis.E
até se pode estabelecer uma estratégia para que o idoso tome uma
decisão o mais informada possível, mas sem atropelar os seus direitos à
autodeterminação, reforçou, explicando que situação diferente é a de
alguém incapaz de se autodeterminar, o que exige ser comprovado por
vários médicos.Nas situações em que o
idoso mantém a sua capacidade, o psiquiatra recomenda que a ajuda dada
pelos familiares corresponda à vontade que tem de receber essa ajuda,
argumentando que forçar ou contrariar tal vontade, mesmo que por bom
motivo, configura, no limite, um abuso psicológico.Casos
de idosos que perdem autoridade na família e até em questões da sua
própria vida, com filhos, netos ou outros próximos a desrespeitar a sua
vontade, são também relatados nas consultas de seguimento de doentes e
cuidadores da psicóloga Carla Mariz, segundo relatou.