MPT contra 24 anos de governação PS e a favor do turismo sustentável
Açores/Eleições
9 de out. de 2020, 10:28
— Lusa/AO Online
"24 anos é uma
coisa fora do normal e [o Governo Regional] não tem políticas
construtivas nem de futuro para ao Açores, nem estruturais a nível
ambiental e financeiro", sublinhou, em entrevista à agência Lusa, Pedro
Pimenta, também vice-presidente do partido que concorre às eleições de
25 de outubro.Pedro Pimenta, que foi
entrevistado no Algarve, destacou também a cultura de medo que levou os
militantes e apoiantes a pedirem para que os candidatos às eleições "não
fossem dos Açores". Para o MPT, esta é
uma "tomada de posição" para tentar combater "esse receio", já que a
vida dos candidatos "se torna complicada" quando concorrem contra o
poder instituído.O dirigente acredita que,
ao saberem que as listas são constituídas por "pessoas não vinculadas a
um poder instalado", os "60% de abstenção" vão perceber que os
candidatos são "independentes na sua forma de agir e de trabalhar", o
que se vai refletir no resultado eleitoral.Para
o MPT, é possível fazer "uma política séria" sem os orçamentos
megalómanos "que outros apresentam", por isso não prevê quaisquer gastos
para a campanha eleitoral, procurando apostar nas "redes sociais" e na
"comunicação social".O candidato admite a
possibilidade de uma coligação "pós-eleitoral", mas "só se o partido que
o pretender" defender os princípios do MPT, nas áreas da "saúde,
ambiente, luta contra a corrupção e potenciar a transparência", mas
"nunca com o PS", sublinhou."Um dos pontos
que queremos combater e potenciar é a transparência, a corrupção,
os favorecimentos, é um ponto de bandeira do MPT, tanto para o
território nacional como para as ilhas" destacou.Afirmando
que os Açores são uma referência de natureza, o número um por São
Miguel e pelo círculo de compensação destacou a "defesa dos mares e do
ambiente", assim com a projeção de "um turismo sustentável de natureza",
como as propostas do partido para o arquipélago, numa lógica de
"turismo de qualidade e não de massas"."O turismo de massas destruiu, o turismo de qualidade constrói e desenvolve", defendeu.Num
ano atípico no turismo, o MPT considera "incompreensível" que o Governo
Regional não tenha aproveitado a não inclusão dos Açores nas restrições
às viagens do Reino Unido para "potenciar o turismo açoriano nas ilhas
britânicas".Pedro Pimenta destacou ainda
que num ano em que a quebra na área do turismo "pode atingir os 80%,
cerca de 70 milhões de euros", o executivo socialista apenas apoie o
setor com "20 milhões de euros".A
transportadora aérea SATA merece também a atenção do MPT, que se mostra
favorável "a uma privatização parcial" da empresa, considerando que, com
a entrada de investidores novos, "poderá ser possível abrir novas rotas
para trazer mais turismo" para as ilhas e "automaticamente sustentar a
empresa".Para o setor do mar, o MPT
defende que os "57% da Zona Económica Exclusiva portuguesa" situados na
região açoriana merecem a devida atenção e o arquipélago precisa de ver
reforçados "os meios humanos e motorizados marítimos", numa política
estrutural que desenvolva este "mercado ambiental e financeiro".Na
componente social, os 27% de abandono escolar até aos 18 anos e o rácio
de 93 idosos para cada 100 jovens são, segundo o MPT, números que
demonstram a inexistência de "políticas sérias construtivas e de futuro"
por parte do atual executivo regional.Na
área da saúde, a atenção centra-se nas listas de espera "de 15 meses" e
nos "10 mil utentes na ilha Terceira sem médico de família", sinais de
que o executivo regional colocou "a saúde em segundo plano", no que o
MPT classifica como um "desinvestimento incrível, abismal, inadmissível e
inaceitável".Nas eleições regionais
açorianas, marcadas para 25 de outubro, existe um círculo por cada uma
das nove ilhas e um círculo de compensação, que reúne os votos que não
foram aproveitados para a eleição de parlamentares nos círculos de ilha.Nas
anteriores legislativas açorianas, em 2016, o PS venceu com 46,4% dos
votos, que se traduziu em 30 mandatos no parlamento regional, contra
30,89% do segundo partido mais votado, o PSD, com 19 mandatos, e 7,1% do
CDS-PP (quatro mandatos).O BE, com 3,6%, obteve dois mandatos, a coligação PCP/PEV, com 2,6%, um, e o PPM, com 0,93% dos votos expressos, também um.O PS governa a região há 24 anos, tendo sido antecedido pelo PSD, que liderou o executivo regional entre 1976 e 1996.