MP usa escutas a Sócrates para provar jantar com Salgado, ex-governante nega
Operação Marquês
2 de set. de 2025, 17:57
— Lusa/AO Online
Nas
interceções telefónicas datadas de abril de 2014 e reproduzidas hoje no
julgamento da Operação Marquês, o antigo primeiro-ministro (2005-2011)
aceita, através da sua secretária, jantar em casa de Ricardo Salgado, em
Cascais, num encontro para o qual terá também sido convidado o então
presidente executivo da Portugal Telecom (PT), Henrique Granadeiro."Fui
convidado para jantar, mas o jantar não aconteceu, e estou convicto de
que não aconteceu justamente porque o dr. Henrique Granadeiro não
apareceu", reiterou hoje José Sócrates, desvalorizando o facto de, no
dia seguinte à data marcada, ter sido escutado a dizer que a refeição em
casa do à data presidente do Banco Espírito Santo (BES) ocorrera.José
Sócrates, de 67 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22
crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido
dinheiro para beneficiar em dossiês distintos o grupo Lena, o Grupo
Espírito Santo (GES) - ligado ao BES, à data acionista da PT - e o
empreendimento Vale do Lobo, no Algarve.Ricardo
Salgado, de 81 anos e doente de Alzheimer, e Henrique Granadeiro, da
mesma idade, são outros dos 21 arguidos no processo.Os
21 arguidos - que respondem globalmente por 117 crimes
económico-financeiros - têm negado, em geral, a prática de qualquer
ilícito.O julgamento começou em 03 de
julho no Tribunal Central Criminal de Lisboa e prossegue na
quarta-feira, com mais pedidos de esclarecimentos do MP, nomeadamente
sobre a relação de José Sócrates com o grupo Lena.