MP pediu mais documentação ao primeiro-ministro sobre Spinumviva
19 de set. de 2025, 12:29
— Lusa/AO Online
“A
informação que tenho é que existe muita documentação e, esta semana, o
DCIAP [Departamento Central de Investigação e Ação Penal] pediu mais
documentação” ao primeiro-ministro, disse Amadeu Guerra em entrevista ao
jornal Nascer do Sol.O PGR adianta que na
próxima semana vai fazer um ponto de situação com o diretor do DCIAP
sobre vários inquéritos e vai indagar as razões da demora e a
justificação.“Acho isso legítimo, é aliás a
minha obrigação. Mas já fui criticado por isso. Agora, eu não dou
efetivamente instruções concretas em AP [averiguação preventiva] ou em
inquéritos”, disse.A polémica com a
empresa Spinumviva surgiu com notícias do Correio da Manhã que indicavam
que a empresa familiar do primeiro-ministro se dedicava, entre outras
atividades, à compra e venda de imóveis.Na
sequência das notícias desse ramo de atividade da Spinumviva abriu-se a
discussão sobre a eventual atividade profissional do primeiro-ministro
em paralelo ao exercício de funções governativas e sobre a identidade
dos clientes da empresa e possíveis conflitos de interesse.Na
sequência de três queixas recebidas pela Procuradoria-Geral da
República, foi aberta pelo Ministério Público uma averiguação preventiva
à empresa familiar do primeiro-ministro, com o objetivo de determinar
se existem indícios que justifiquem a abertura de inquérito criminal.A
averiguação preventiva foi confirmada pelo procurador-geral da
República a 12 de março, um dia depois da queda do executivo de Luís
Montenegro, que não sobreviveu à rejeição da moção de confiança ao
Governo apresentada no parlamento.Na
entrevista de hoje ao Nascer do Sol, o PGR falou também sobre a operação
“Influencer”, que culminou na queda do Governo de António Costa (PS) e
na realização em 10 de março de 2024 de eleições legislativas
antecipadas.“Da minha parte sempre disse
que, para dar um despacho final, é preciso reunir toda a prova. Na
operação Influencer existe muitíssima documentação que foi apreendida
nas buscas e ainda não foi toda analisada. Ao contrário do que acontecia
no passado, em que a prova era essencialmente em suporte de papel,
hoje, nestes processos complexos, é quase toda informática. Umas vezes
já vem em suporte magnético, noutras temos de a digitalizar e analisar”,
explicou.Amadeu Guerra indicou estarem
pendentes de decisão quatro recursos, estando em causa num deles o
acesso a prova digital e equipamento informático, e a análise de prova
dependente da decisão desse recurso interposto por arguidos.O
PGR disse também que, a seu pedido, a Polícia Judiciária criou uma
estrutura para fazer as digitalizações da informação apreendida em
suporte papel.“Mas o caso Influencer não é
o único. Não temos meios para analisar toda a prova ao mesmo tempo.
Portanto, tem de haver uma maior coordenação com a PJ em relação às
ferramentas de pesquisa digital e o caso Influencer confirma o que
acabei de dizer : Está em análise a prova documental obtida nas buscas e
a demais entretanto obtida por intermédio de diversas solicitações a
entidades públicas”, disse.Questionado
sobre se António Costa continua sob suspeita, Amadeu Guerra disse que
não fala “de processos concretos”, acrescentando que a PGR já deu
informações quanto a esse assunto.Amadeu
Guerra disse também, quando questionado sobre se teria incluído, como a
sua antecessora, o parágrafo sobre o ex-primeiro-ministro no comunicado
sobre a operação Influencer, que não lhe ficaria bem pronunciar-se sobre
essa matéria.Considerou igualmente não ser adequado, nem aceitável, alguém estar sob escutas quatro anos.“Mas
temos de analisar as circunstancias concretas dos processos onde isso
acontece. A verdade, penso eu, e qualquer jurista dirá o mesmo, é que o
MP propôs as escutas e fundamentou-as para poderem ser aceites pelo
juiz. E foram”, disse.Em causa no caso
Influencer estão suspeitas de crime na construção de um centro de dados
em Sines (distrito de Setúbal), na exploração de lítio em Montalegre e
Boticas (ambas no distrito de Vila Real), e na produção de energia a
partir de hidrogénio também em Sines.A 7
de novembro de 2023, foram detidas e posteriormente libertadas no
âmbito da Operação Influencer cinco pessoas, incluindo o chefe de
gabinete do ex-primeiro-ministro António Costa, Vítor Escária.António
Costa foi considerado suspeito sem ser constituído arguido, tendo
afirmado, aquando da operação, estar de "consciência tranquila" quanto
aos seus atos.