MP francês volta a pedir sete anos de prisão a Sarkozy por financiamento líbio
Hoje 17:16
— Lusa/AO Online
Em setembro, um
tribunal de primeira instância tinha condenado Sarkozy a cinco anos de
prisão efetiva por associação ilícita, considerando que tinha permitido
que os colaboradores mais próximos abordassem o regime líbio para obter
fundos para a campanha presidencial, uma eleição que acabou por vencer.O
procurador Rodolphe Juy-Birmann solicitou também, para o antigo chefe
de Estado francês (2007-2012), a inelegibilidade para exercer cargos
públicos durante cinco anos e uma multa de 300.000 euros.Juy-Birmann
sublinhou que solicitava para Sarkozy a pena mais severa entre as
solicitadas para os dez arguidos neste processo, porque o antigo líder
francês foi o "instigador dos factos", mas também "o principal e único
beneficiário", e tudo isto com o objetivo de ser eleito presidente.A
Justiça francesa suspeita de que os encontros clandestinos com Abdallah
Senoussi, "número dois" do regime do ditador líbio Muammar Kadhafi
(1969-2011), serviram para forjar um "pacto de corrupção", com a bênção
de Sarkozy, então ministro do Interior no Governo de Dominique de
Villepin (2005-2007).Tal pacto passava
pelo financiamento ilegal da sua campanha presidencial de 2007 em troca
da promessa de contrapartidas económicas, diplomáticas e judiciais, numa
altura em que a Líbia preparava um regresso à arena diplomática.O
advogado de Sarkozy, Christophe Ingrain, disse aos jornalistas estar
convencido de que nos próximos 15 dias, durante as alegações da defesa,
vão demonstrar a "total inocência de Nicolas Sarkozy".Ingrain
insistiu que "não houve dinheiro líbio na campanha, não houve dinheiro
líbio no património" e "a eleição não foi viciada".O
representante do Ministério Público pediu ao tribunal que, ao proferir a
sentença, tenha em conta que os factos a julgar "não são um cenário
qualquer", mas "um pacto de corrupção ao mais alto nível" estabelecido
antes de ser eleito chefe de Estado, pelo qual se comprometeu a tirar o
regime de Kadhafi do ostracismo internacional em que se encontrava há
anos.O Ministério Público exigiu que
Sarkozy fosse condenado pelos quatro crimes em julgamento e não apenas
por um deles, o de associação criminosa, o único considerado provado no
julgamento em primeira instância no ano passado.O
tribunal criminal de Paris absolveu Nicolas Sarkozy de três das quatro
acusações de que era alvo, mas considerou-o culpado de conspiração e
condenou-o a cerca de 20 dias de prisão efetiva, apesar do recurso, algo
inédito para um antigo presidente francês.A
07 de abril, na primeira audiência do tribunal de recurso em que foi
interrogado, Sarkozy tinha apontado que os colaboradores Claude Guéant e
Brice Hortefeux foram "culpados de imprudência" por se encontrarem em
Tripoli com Abdallah Senoussi.Senoussi foi
condenado a prisão perpétua por ter ordenado um atentado contra um
avião comercial DC-10 que sobrevoava o Níger, em 1989, matando as 170
pessoas que se encontravam a bordo, 54 das quais cidadãos franceses.