MP acusa Mário Ferreira de fraude fiscal qualificada na venda do navio Atlântida
16 de abr. de 2025, 15:52
— Lusa/AO Online
Em nota
publicada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal
(DCIAP), no âmbito da denominada ‘Operação Ferrry’, refere que o MP
deduziu acusação “contra um arguido (pessoa singular) e contra duas
sociedades comerciais por aquele representadas, pela prática de um crime
de fraude fiscal qualificada”.“Em causa
está a venda, no ano de 2015, de um navio [Atlântida], através da
interposição de uma estrutura societária constituída em Malta, que teve
por objetivo ocultar os reais valores da venda e evitar a sua sujeição a
tributação em Portugal”, explica o DCIAP, sem nunca mencionar o nome
dos arguidos.Segundo a acusação, “ficou
indiciado que a concreta e efetiva transação comercial de compra e venda
do navio operacionalizou-se entre uma sociedade portuguesa e uma
sociedade norueguesa, tendo a intervenção da estrutura societária
constituída em Malta sido meramente instrumental e sem conteúdo
comercial”.O MP sustenta que da operação
de venda resultou um ganho de mais de 3,7 milhões de euros, “que
configura um rendimento de capital, sujeito a retenção na fonte”.“Este
montante, porém, não foi atempadamente declarado, o que possibilitou a
obtenção de uma vantagem ilegítima, em sede de IRS” superior a 1 milhão e
43 mil euros, diz o DCIAP, acrescentando que “este ganho só
posteriormente foi declarado e tributado”.Na
acusação, o MP pede, em representação do Estado, uma indemnização civil
“no valor correspondente ao dos juros compensatórios que se apurou
estarem em falta, no montante” que ascende a 110 mil euros.O
Ministério Público dirigiu a investigação coadjuvado pela Autoridade
Tributária (AT) - Direção de Serviços de Investigação da Fraude e de
Ações Especiais (DSIFAE).