MP acusa 43 pessoas por fraude nas viagens entre a Madeira e o continente
28 de jan. de 2025, 16:09
— Lusa/AO Online
De
acordo com o comunicado da Procuradoria-Geral da República (PGR)
divulgado na segunda-feira, os procuradores do Departamento de
Investigação e Ação Penal (DIAP) de Loures deduziram acusação contra 44
arguidos pelos crimes de associação criminosa, burla qualificada,
branqueamento, falsidade informática e falsificação de documento. Segundo
o Ministério Público, esta “organização criminosa” terá recrutado
dezenas de pessoas na Madeira que fizeram, entre 2015 e 2024, viagens
para Portugal continental, “para se deslocarem a lojas e postos CTT
localizados por todo o território nacional”. O
objetivo das deslocações era, através dos balcões dos CTT, levantar o
subsídio social de mobilidade, que é atribuído a quem faz viagens de e
para as ilhas da Madeira e dos Açores. E para que fossem feitos os
levantamentos, este grupo falsificava passagens aéreas, bilhetes,
reservas, faturas e recibos associados às viagens. Durante
a investigação, que teve a coadjuvação da Polícia Judiciária, foi
possível apurar um prejuízo para o Estado português de, pelo menos, 529
mil euros. Relacionado com este processo, a
Polícia Judiciária deteve, em maio do ano passado, cinco pessoas e fez
mais de 70 buscas na Região Autónoma da Madeira e na Área Metropolitana
de Lisboa. A propósito das detenções, a
Polícia Judiciária explicava que o grupo investigado “demonstrava
elevados índices de organização, com diferentes níveis hierárquicos,
sendo composto por falsificadores, recrutadores e angariadores e
controladores”. Esta polícia indicava
ainda que nos últimos anos têm sido feitas várias operações para o
desmantelamento de “redes criminosas dedicadas à utilização fraudulenta
do subsídio social de mobilidade” na Madeira e nos Açores, que já terão
lesado o Estado em mais de seis milhões de euros.