Movimentos extremistas estão a ser monitorizados pelas polícias
25 de jun. de 2025, 17:46
— Lusa
O
Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2024 foi hoje discutido
no parlamento e marcou a estreia de Maria Lúcia Amaral na Assembleia da
República como ministra.Durante o debate,
PS, PCP, Bloco de Esquerda, Livre e PAN questionaram a ministra sobre a
retirada do capítulo que fazia referência a movimentos de
extrema-direita.Em reposta, a ministra
disse que os dados mencionados “foram monitorizados e continuam a ser
monitorizados pelas instituições, nomeadamente pela Polícia Judiciária”,
sublinhando ser “mais importante que essa monitorização continue” do
que saber se foi ou não retirado de um relatório que tem contributos de
todos os órgãos de polícia criminal.A
governante considerou também que o RASI de 2024 revela “sinais positivos
mas também revela dificuldades e desafios que não devem ser ignorados”.Como
“sinais positivos” do RASI, a ministra destacou a queda da
criminalidade geral, que “indicia que as forças de segurança estão a
trabalhar com eficácia e que as medidas adotadas ao longo do último ano
estão a dar frutos”.Por sua vez, realçou
que os “indicadores preocupantes exigem uma reflexão séria”, como “o
aumento ainda que não muito expressivo da criminalidade violenta e
grave, da criminalidade grupal e delinquência juvenil que tem vindo a
crescer desde 2021, aumento dos crimes contra a liberdade sexual, a par
da violência contra menores e o “flagelo da violência doméstica”.Maria
Lúcia Amaral disse ainda que vai continuar a ser trilhado o caminho do
último ano, como a valorização dos elementos das forças de segurança e
diminuição da criminalidade violenta e grave. Na
versão preliminar do RASI, a que a Lusa teve acesso, em Portugal não
existe nenhuma organização de extrema-direita classificada como
terrorista, mas há o registo de um braço de uma organização extremista
internacional que é classificada como terrorista noutros países. Sem
especificar qual é a organização em questão, esta versão do RASI
apontava para a existência deste ramo de uma organização extremista em
Portugal, que já foi alvo de sanções financeiras em vários países por
financiamento de terrorismo. A deputada do
BE Mariana Mortágua afirmou que a ação dos grupos de extrema-direita
está a crescer porque “o discurso racista e de ódio que os legítima está
a crescer na Assembleia da República, nomeadamente pela bancada do
Chega”. Pedro Pinto, do Chega, considerou
que “o extremismo quando vem da direita é mau”, mas “quando vem da
esquerda é um extremismo bom”.O deputado
do Chega afirmou que o relatório “é preocupante porque aumenta a
criminalidade violenta”, tendo também chamado a atenção para o aumentou
das agressões aos guardas prisionais.A deputada do PAN Inês Sousa Real referiu igualmente que a retirada do capítulo tem “uma explicação que não convence”.Paulo
Muacho, deputado do Livre, sublinhou que “há vários anos que o RASI
alerta para a atividade destes grupos de extrema-direita no país", tendo
pedido à ministra ação sobre “a infiltração da extrema-direita
terrorista nas forças de segurança”.Também
Paula Santos, do PCP, disse que o RASI “fica marcado pelo que lá
esteve, mas deixou de estar”, frisando que “entre o relatório que saiu
da tradicional fuga de informação para a comunicação social e a versão
final assumida pelo Governo, caiu o capítulo que se referia à
perigosidade das organizações de extrema-direita”.Por
sua vez, o deputado do CDS-PP preferiu falar sobre a extrema-esquerda e
da “vergonha e mancha” na democracia portuguesa sobre o desaparecimento
das “penas para os assassínios da extrema-esquerda das F25".Rui
Rocha, da IL, considerou ser benéfico que o RASI tenha mais dados sobre
quem comete os crimes, como sexo, idade e nacionalidade, uma questão
que foi aprovada na anterior legislatura mas que já não foi possível
incluir no relatório de 2024, uma posição que o PSD concorda. O
deputado da IL questionou a ministra sobre a inclusão destes dados,
tendo Maria Lúcia Amaral respondido que “ainda não tem uma posição
fechada”, mas recordou que as polícias têm conhecimento dessa
informação.O deputado do PSD António
Rodrigues defendeu que "o RASI é um documento demasiado importante para
ser utilizado como arma de arremesso entre esquerda e direita” e
enalteceu a retirada do capítulo sobre extremismos do relatório porque,
justificou, não se deve “avisar o criminoso que o vamos prender”.Pedro
Vaz, do PS, lamentou o que disse ter sido uma “preocupação de
equiparação de uma extrema-direita terrorista a uma extrema-esquerda que
organizam manifestações, anarcas e militantes individuais”.“Essa
preocupação de equivalência está errada. E está errada porque neste
momento temos organizações terroristas a armarem-se para atacar a casa
da democracia, as instituições democráticas e os políticos do nosso
país. (...) Equiparar o presente com aquilo que aconteceu há 50 anos
está errado, deturpa a verdade dos factos e promove apenas a
desinformação e o ódio entre todos”, atirou.