Movimento Vida Justa critica falta de investimento nos bairros sociais
Habitação
12 de out. de 2023, 11:48
— Lusa/AO Online
“Fala-se
muito que se envia dinheiro… Não. Não há nada disso. (…) Na prática (…)
não há equipamentos sociais, não requalificação das ruas, não há
higiene urbana. O que se faz, às vezes, é envernizar as paredes,
envernizar a pobreza. É só a aparência”, disse aos jornalistas Flávio
Almada, um dos porta-vozes do Vida Justa.Para
o representante do movimento, trata-se de uma questão de aumentar as
verbas estatais, porque as pessoas exigem “condições de habitação
dignas”.“(…) A questão dos salários [é
que] têm de aumentar, a questão da habitação, a questão do custo de
vida, a questão da renda, porque aqui no bairro temos sobrelotação e
depois o que se faz? (…) É impossível ter uma casa”, realçou,
acrescentando que “as condições de vida são terríveis e que (…) tem de
haver políticas públicas direcionais”, apelou. O
Vida Justa lançou hoje o mote para a manifestação “Estamos
Juntos/Estamos Fortes” que vai decorrer em 21 de outubro, às 15:00, com
uma marcha do Rossio à Assembleia da República, porque “ninguém vive do
ar”.“O que importa é vir aqui fazer
turismo como os políticos fazem: tirar fotos”, ironizou Flávio Almada,
solicitando “coisas concretas (…) em termos de salário, habitação e
emprego”.Sobre a manifestação, o porta-voz
do Vida Justa adiantou que o movimento está otimista com a adesão,
porque tem sido feito um trabalho com os bairros, no sentido de os
chamar à participação na vida política. “Cada
vez mais [pessoas] aderem ao nosso movimento. É um movimento que nasceu
dos bairros. É bom que não venhamos a habitar na geografia do medo”,
salientou, acrescentando que as coisas só podem mudar se houver
participação popular. Antes de Flávio
Almada discursar, dois moradores da Quinta do Lavrado mostraram as
condições indignas em que as pessoas vivem naquele bairro da freguesia
Penha de França. Lixo em abundância na
rua, portas dos prédios partidas pela força policial devido ao
narcotráfico, caixas do correio rebentadas, elevadores parados e
insegurança “pintam” um cenário pouco animador e de um presente
desolador.“Isto é surreal. Parece que não
somos relevantes”, comentou Carla Alves, da Geração com Futuro –
Associação de Moradores, dizendo que “é a polícia [que destrói]” e que
“as pessoas não têm nada a ver com isso”, referindo-se ao tráfico de
droga. Também João Raimundo expos o medo
dos moradores que, além de verem a infraestrutura destruída, à noite
ficam sem luz e têm problemas em adormecer por causa dos odores da
estação de tratamento de águas residuais (etar), junto ao bairro. “Parece que caiu um míssil”, considerou.