Movimento reitera que incineradora de São Miguel não pode ser autorizada
10 de ago. de 2022, 10:21
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, o movimento recorda que a 03 de agosto terminou o período
de consulta pública do Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de
Execução (RECAPE) da incineradora de resíduos de São Miguel, que tem
por “objetivo a verificação" dos "critérios estabelecidos na DIA”.Segundo
o movimento, o relatório confirma que o “projeto não cumpriu as
condições exigidas” na DIA, uma vez que a ilha de São Miguel não atingiu
uma taxa de reciclagem de 50% em 2020, tendo aquele valor ficado nos
32,6%.“Há um incumprimento irreversível,
expressivo e objetivo de uma condicionante imposta pela DIA aprovada
condicionalmente em 2011”, lê-se na nota de imprensa.Face
ao “incumprimento” das taxas de reciclagem, uma “condição imperativa”
da DIA, o movimento “considera que deixaram de estar reunidos os
pressupostos para qualquer tipo de licenciamento ou autorização do
projeto”.O “Salvar a Ilha” reconhece que o
relatório “tenta provar” que o projeto da incineradora vai “permitir o
cumprimento das futuras metas de preparação para reutilização e
reciclagem de resíduos urbanos, de 55% em 2025, 60% em 2030 e 65% em
2035”.Contudo, o movimento considera que
as “metas de reciclagem futuras também não serão cumpridas” em São
Miguel, uma vez que o relatório “não apresenta dados sobre a atual
produção de resíduos urbanos”, nem esclarece “com suficiente detalhe as
origens e as quantidades de resíduos que vão permitir cumprir” as metas
em causa.O movimento critica ainda o facto
de o relatório contabilizar para as “metas de reciclagem as quantidades
de resíduos orgânicos provenientes dos resíduos urbanos
indiferenciados”, contrariamente ao que defende a legislação europeia.“Este
projeto de incineração não cumpriu as condições impostas pela DIA no
que se refere às metas obrigatórias de preparação para reutilização e
reciclagem para 2020, nem sequer consegue demonstrar que vai conseguir
cumprir as metas futuras. O movimento Salvar a Ilha considera que a
única solução legalmente aceitável é o não-licenciamento deste projeto”,
defendem.O Movimento “Salvar a Ilha” integra as associações ambientalistas Amigos dos Açores, Artac, Quercus e ZERO.A 19 de julho, foi anunciado que os Açores aumentaram a taxa de
reciclagem de resíduos urbanos em 3,5% em 2021, atingindo 32,3%, quando a
meta da União Europeia para 2025 é de 55%.Antes, a 07 de junho, o Governo dos Açores anunciou que a construção das
centrais de tratamento mecânico e de tratamento biológico do Ecoparque
da ilha de São Miguel, que inclui uma incineradora, “deverá ficar
concluída até final deste ano”.Em 2016, a
Associação de Municípios da Ilha de São Miguel decidiu, por unanimidade,
avançar com a construção de uma incineradora de resíduos, orçada em
cerca de 60 milhões de euros.O contrato
entre a italiana Termomeccanica e a MUSAMI – Operações Municipais do
Ambiente para a construção da incineradora, num investimento de 58
milhões de euros, foi assinado em fevereiro de 2021, apesar das
contestações judiciais por parte de associações ambientalistas.