Movimento quer reinventar a estratégia urbana com “visão global” para Ponta Delgada
19 de ago. de 2021, 13:20
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, André Patrão adiantou que o manifesto do
movimento assenta em duas medidas, que podem “parecer gerais e quase
abstratas”, mas que são de “aplicação imediata e de grande consequência
para a forma de pensar e agir a cidade”.“Por
um lado, a promoção de concursos de ideias, uma prática generalizada na
Europa, principalmente, mas frequente em todo o mundo, e que permanece
virtualmente inexistente nos Açores neste momento”, afirmou.O arquiteto acrescentou que, na região, os projetos são “principalmente feitos por ajuste direto”.André
Patrão reconheceu que o concurso público “demora mais tempo e exige
mais recursos”, mas disse ser “consensual” que é a “melhor e mais eficaz
estratégia”.O
manifesto também propõe a atualização dos “meios de projeto urbano”
para os “problemas que existem hoje” nas cidades, através da adoção dos
“instrumentos de desenho urbano”.Segundo
disse, o desenho urbano é uma “escala intermédia entre uma dimensão
mais técnica do planeamento urbano, focada, por exemplo em questões
legais, de infraestrutura e de ordenamento do território, e uma dimensão
mais próxima e tangível como a arquitetura”.“Aplicando
estes dois princípios, penso que quer os espaços já feitos, quer
aqueles que possam ser feitos no futuro, podem ser recuperados com uma
mentalidade muito diferente, com uma visão global do que a cidade deve
ser”, afirmou.André
Patrão considerou ser necessário implementar uma “estratégia de cidade”
para evitar “projetos redundantes”, como o caso da marginal de Ponta
Delgada, onde a “avenida é copiada e recopiada várias vezes”.“A questão não tem sido a falta de recursos, tem sido da boa aplicação dos recursos”, apontou.O
arquiteto também deu o exemplo da requalificação do Campo de São
Francisco como uma “intervenção inconsequente”, porque “continua a ser
um espaço morto”.“O
manifesto mais do que esmiuçar casos do que já foi feito, se os refere é
só para fazer uma análise do presente, porque o manifesto está muito
virado para o futuro, para os instrumentos e os temas do futuro”,
concluiu.