Movimento “Porta-a-Porta” reclama do Governo mais e melhor atendimento no IHRU
27 de out. de 2025, 11:40
— Lusa/AO Online
Estes
ativistas estão em protesto e vão
enviar cartas à secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves
Costa, e ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.“Os
problemas vão de norte a sul do País, com cortes nos apoios às rendas e
no programa ‘Porta65’ e só há 10 senhas de manhã e 10 senhas à tarde
para atendimento presencial, em Lisboa e no Porto. Através da Internet
ou do telefone é impossível”, lamentou à Lusa o porta-voz do movimento
“Porta-a-Porta”, André Escoval.Numa das tarjas empunhadas pelos membros do “Porta-a-Porta” lê-se “fartos de escolher entre pagar a renda ou comer”.Desde a madrugada desta segunda-feira, dezenas de pessoas esperam à porta do Instituto do
IHRU, em Lisboa, para conseguirem uma das 20 senhas diárias para
atendimento e alguma ajuda para pagar a renda da casa.A
primeira pessoa na fila de espera, a cuidadora de pessoas idosas Maria
Santos Godinho, 59 anos, chegou às 04:45 horas de Odivelas para tratar
do assunto de um amigo com a mesma idade que “teve de ir à E-REDES
porque o quadro elétrico rebentou com às humidades, no Monte da
Caparica, e agora nem luz tem”.“Isto é
pior que ir ao médico. Temos de vir para aqui dormir. Não respondem a
‘e-mails’, não atendem telefones. Tem de se vir cá e é preciso bater o
pé. De outra maneira, mandam-nos embora sem resolver nada”, criticou.Mais
na cauda do ‘pelotão’ madrugador estava Raquel Djaló, 32 anos, mãe
solteira de um rapaz de 14 e de uma rapariga de 12, que, simplesmente,
deixou de ver o seu apoio à renda da casa ‘cair na conta’, sem qualquer
“explicação ou justificativa”.“Tem de
haver mais senhas. Deixamos o trabalho para vir aqui. Eu tive de deixar a
menina com outras pessoas para estar aqui às 06:00 horas”, indignou-se a
habitante da Amadora, com antepassados da Guiné-Bissau.Em
declarações à Lusa, a 14 de outubro, no final de uma audiência na
Assembleia da República, o presidente do IHRU, António Costa Pereira
admitiu que o cenário é “gravíssimo”, designadamente a demora na
resposta aos quase 60 mil beneficiários do Programa de Apoio
Extraordinário à Renda (PAER) com a respetiva situação por resolver.