Movimento "Nós Somos Igreja" defende suspensão preventiva de suspeitos de abuso
6 de mar. de 2023, 13:08
— Lusa/AO Online
“Não pode haver
diferenças entre um padre e um treinador, só para dar um exemplo”, disse
à agência Lusa Maria João Sande Lemos, em representação do movimento.
A mesma fonte recordou que o movimento lançou no dia 28 de fevereiro
uma carta aberta aos bispos portugueses, com três propostas concretas,
elencando medidas a curto e médio prazo.“Tomámos
a iniciativa de escrever esta carta à Conferência Episcopal a propor
alterações”, reiterou Maria João Lemos, para quem os bispos encobridores
de casos de abuso devem ser “imediatamente suspensos”.No
documento, intitulado “Carta aos bispos da Igreja em Portugal sobre as
mudanças que todos necessitamos de fazer”, o movimento afirma que o
momento é de “uma tristeza imensa” e de “uma enorme revolta contra os
abusos praticados e contra o seu encobrimento”.Defende,
por isso, que sejam criados, de imediato, mecanismos de apoio às
vítimas, bem como uma nova comissão independente, à semelhança da
anterior, que prossiga o trabalho, continue a receber denúncias de
abusos e a acompanhar casos, composta por pessoas “de reconhecida
competência, corajosas, íntegras, com capacidade de liderança e
maioritariamente externas à Igreja, especialmente capazes no âmbito das
ciências sociais, para dar sequência ao processo”.O
movimento propõe também que, a curto prazo (até 60 dias), a atividade
das comissões diocesanas sobre abusos seja recentrada exclusivamente na
prevenção primária e formação, de acordo com um mandato claro e com um
programa discernido construído por “pessoas devidamente habilitadas” e
que os bispos encobridores, “a existirem”, se retirem de funções.Outra
medida passa pela suspensão preventiva de “todos os abusadores que
estejam atualmente ao serviço da Igreja”, sempre que haja indícios
“minimamente credíveis” sobre abusos e, quando considerados culpados à
luz da moral cristã, independentemente de eventual processo judicial
(…), “passando ao estado laical”. “Este é o
tempo do reconhecimento de uma ineludível culpa intensa e, por isso, o
tempo de pedir perdão às vítimas, cujas vidas foram danificadas por atos
e omissões. Este é o tempo da nossa grande vergonha e, por isso, da
expiação do grande pecado organizado”, lê-se no documento.O
cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, afastou no domingo a
suspensão de alegados padres abusadores de menores, sem que haja "factos
comprovados, sujeitos a contraditório" e um processo canónico feito
pela Santa Sé.