Movimento independente justifica voto contra financiamento PDL26 por “dúvidas relevantes”
Hoje 10:35
— Lusa/AO Online
Em
comunicado enviado à agência Lusa, o PDLPT explica que "votou contra a
minuta do segundo aditamento ao contrato-programa setorial plurianual
2024-2026, por persistirem dúvidas relevantes que não foram devidamente
esclarecidas em reunião de Câmara".Segundo
a nota, durante a discussão do documento, a vereadora Sónia Nicolau
"apresentou diversos pedidos de esclarecimento e observações
relativamente à minuta do contrato em apreciação [...] e a outras
matérias relacionadas com a execução do projeto". "Não
houve disponibilidade para esclarecimentos por parte do senhor
presidente de Câmara [o social-democrata Pedro Nascimento Cabral] e,
perante a insistência da vereadora, a decisão foi a de remeter as suas
dúvidas para o documento em análise e proceder à votação do assunto",
referiu.O município informou em
comunicado que os vereadores do Chega e do PDLPT chumbaram uma proposta
do executivo que "permitia o acesso a mais dois milhões de euros" para a
Capital Portuguesa da Cultura."Não
aprovamos documentos onde persistem dúvidas. Há dinheiros públicos na
Capital Portuguesa da Cultura, que têm que ser escrutinados e as opções
devem ser explicadas", justificou o movimento independente."Como
se podem prometer contratos a artistas com verbas que advém de [uma]
candidatura ao PO 2030, podendo ser ou não aprovada", questionou Sónia
Nicolau, citada na nota.Para o movimento,
"tudo isto é fácil de resolver": "Clarifiquem-se as dúvidas e
apresente-se novamente em reunião de Câmara o contrato e bem pode a
senhora comissária [Katia Guerreiro] aproveitar a chamada à senhora
ministra [da Cultura] e questionar pelo apoio de 650.000 euros previstos
desde outubro de 2025"."Estamos
disponíveis para viabilizar os assuntos apresentados em reunião de
Câmara relacionados com a Capital Portuguesa da Cultura e outros, mas
exigimos que sejam prestados todos os esclarecimentos necessários sobre
os documentos apresentados e sobre a estratégia definida", concluiu
Sónia Nicolau. O PDLPT considera que um
projeto como o PDL26 exige "total transparência, rigor na gestão dos
recursos e informação clara e atempada aos eleitos municipais e à
população".Os dois vereadores socialistas
no município de Ponta Delgada já disseram que estão disponíveis para uma
"solução equilibrada" que permita o acesso da autarquia a dois milhões
de euros para a PDL26."O Partido
Socialista está disponível para dialogar, apresentar contributos e
participar numa solução equilibrada, transparente e capaz de assegurar a
execução deste projeto no interesse da cidade e dos seus cidadãos",
referiram os dois vereadores do executivo municipal de Ponta Delgada,
eleitos pela coligação PS/BE/PAN/Livre.Rui
Melo e Célia Pereira salientam que "deve ser feito um esforço
responsável para encontrar uma solução que permita ultrapassar o atual
impasse e garantir que Ponta Delgada não perde esta oportunidade".Com
o chumbo da proposta apresentada pelo executivo, o projeto PDL26, que
arrancou a 29 de janeiro, "deixa de ter acesso ao financiamento
inicialmente previsto de 5,3 milhões de euros, uma vez que perde o
investimento proveniente do Turismo de Portugal, de fundos comunitários e
de diversos patrocínios de empresas privadas, reduzindo assim o
orçamento inicial do projeto de 5,3 milhões para cerca de três milhões
de euros", explicou a autarquia.O
presidente do município, Pedro Nascimento Cabral, lamenta
"profundamente" os votos contra do Chega e do PDLPT, afirmando que a
decisão "significa um corte de cerca de dois milhões de euros no projeto
da Capital Portuguesa da Cultura, inviabilizando um instrumento
fundamental para captar financiamento externo e reforçar a capacidade de
execução deste projeto estratégico para o concelho e para os Açores".A
comissária da PDL26, Katia Guerreiro, prometeu uma "reflexão
profunda" sobre as implicações que podem resultar da não concretização
do orçamento previsto.