Movimento cívico quer rever o sistema eleitoral e reduzir deputados nos Açores
10 de out. de 2019, 18:01
— Lusa/AO online
O
porta-voz do movimento, o economista, professor universitário e
dirigente da Câmara de Comércio e Indústria dos Açores Mário Fortuna
afirma que a proposta contempla também a possibilidade de candidaturas
independentes dos partidos em cada círculo eleitoral e o recurso à
votação eletrónica.Mário Fortuna falava em
conferência de imprensa em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, onde
se fez acompanhar por várias personalidades que dão este contributo a
título pessoal, não veiculando as suas instituições, segundo declarou,
entre as quais o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge
Rita, o sindicalista da UGT/Açores Francisco Pimentel, advogados e
empresários, entre outros.Para o
economista, pretende-se com este contributo “resolver os problemas que
afetam a região” com o “alheamento dos cidadãos dos processos
eleitorais”, o que tem sido “por demais evidente e crescente em cada ato
eleitoral que se vai concretizando”, não sendo “bom ter taxas de
abstenção de 67%, em média, e muito mau quando são superiores a 70%”.“Há
aqui um problema sério, profundo, que põe em causa a representatividade
dos órgãos eleitos”, declarou o porta-voz deste grupo de cidadãos.O
movimento declara que o sistema “produz soluções fechadas e mantém-nas
capturadas pelos partidos políticos, com todas as vicissitudes que geram
e que têm levado a soluções demasiado ‘blindadas’, com períodos de
governação maioritária muito longos e sem boas hipóteses de
alternância”.O porta-voz afirma que o
resultado deste sistema tem sido a “existência de um processo de
escrutínio fraco com uma fiscalização da ação do governo por parte” do
parlamento regional que “é inexistente ou, no mínimo, ineficaz”.“O
baixo nível de fiscalização e de produção legislativa do parlamento
regional leva, também, ao legítimo questionar do seu regime de
funcionamento, da sua própria dimensão e do consequente custo deste
órgão”, declara.Referindo-se
especificamente a cada uma das propostas, como o aumento dos círculos
eleitorais de nove ( representando cada ilha) para 19 (os municípios
existentes na região), Mário Fortuna salvaguarda que “é imperioso que os
eleitores se sintam mais diretamente representados por pessoas que
conhecem e que têm a responsabilidade de levar à Assembleia as
preocupações locais devidamente enquadradas no quadro global”.A
proposta contempla assim a criação de círculos eleitorais coincidentes
com as 19 autarquias, atribuindo-lhes a sua quota parte, na ilha, dos
mandatos calculados na base de um número mínimo de dois por ilha, a que
acresce mais um por cada 10.000 habitantes. Para
aquele grupo de cidadãos, “é fundamental estender à eleição dos
deputados o mesmo princípio de abertura a grupos de cidadãos,
“melhorando consideravelmente o processo democrático e incentivando mais
cidadãos à sua participação nos processos políticos sem terem de se
sujeitar às estruturas partidárias estabelecidas”, daí que se deve
contemplar a possibilidade de candidaturas independentes dos partidos,
em cada círculo eleitoral.O voto
eletrónico seria uma forma de “responder a novos estilos de vida dos
cidadãos que cresceram já na era digital”, na opinião destes cidadãos.Mário
Fortuna disse ainda que se justifica uma redução do número de
deputados, “dado o peso que representa no orçamento público”, devendo-se
aumentar o rácio de eleitores por cada mandato criado, reduzindo o
número total de deputados para 45 (menos 12).O
pacote legislativo do grupo de cidadãos compreende três propostas de
alteração legislativa do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, da
Lei Eleitoral e da Constituição, sendo que está a decorrer sob o
formato de petição por forma a ser discutida no parlamento regional.O
grupo gostaria que as eleições legislativas regionais dos Açores de
2020 já contemplassem estas alterações, lançando-se um repto aos
partidos neste sentido e considerando-se que estes cidadãos e estas
propostas "não são uma ameaça" para estes.