Movimento cívico critica corte de 27% das verbas da cultura para 2023 nos Açores
27 de out. de 2022, 13:32
— Lusa/AO Online
Em comunicado,
aquele movimento, que junta artistas, programadores e outros
profissionais do setor, lamenta o desinvestimento do Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM) numa altura de “pós-pandemia em contexto de inflação” e
em que Ponta Delgada está a concorrer a Capital Europeia da Cultura.O
movimento revela “incredulidade e indignação” devido a o Governo dos
Açores “não reforçar o seu compromisso político com a cultura através de
maior financiamento” e “propor um corte de mais de um quarto em relação
aos valores de 2022, passando de 6,27 milhões para 4,55 milhões de
euros em 2023”, segundo a anteproposta de Plano e Orçamento para 2023.Alertando
que aquela anteproposta contempla uma redução de 27% nas verbas para a
cultura, os profissionais do setor apelam à revisão do documento,
reivindicando um aumento de dois milhões de euros face aos valores de
2022.“O movimento cívico apela a uma
revisão positiva dos orçamentos para a cultura, através de um aumento de
dois milhões de euros face a 2022”, propõem.Citado
no comunicado, um dos porta-vozes do movimento, Jesse James, alerta
para existência de “cortes em rubricas estruturantes para a criação
artística, usufruto cultural e valorização do património na região”.“Este
era o ano em que teria de haver um acréscimo nas verbas para o setor:
estamos a finalizar uma candidatura a Capital Europeia da Cultura, com
um júri atento ao compromisso político das autarquias e governos
envolvidos”, afirmou o responsável pela associação Anda&Fala.Jesse
James, organizador do festival Walk&Talk, lembra ainda a pandemia
da covid-19 foi “arrasadora para o setor cultural” e que o momento de
“inflação vai aumentar os custos com as atividades”.O
movimento avisa que os cortes previstos no Orçamento da região para
2023 contariam a “estratégia nacional e europeia de pôr fim ao
subinvestimento sistémico no setor”.Os
agentes culturais realçam que a rubrica referente à “defesa e
valorização do património arquitetónico e cultural, que inclui
inventários, conservação de imóveis e investigação arqueológica”,
apresenta uma redução de 43% na anteproposta de Orçamento para 2023.“Alguns
destes cortes atingem valores de mais de 50%, sendo que certas
rubricas, como a estratégia para o audiovisual ou o financiamento para a
criação e difusão da arte contemporânea dos Açores foram mesmo
eliminadas”, lê-se ainda no comunicado.O
Movimento Cívico por uma Capital Europeia da Cultura nos Açores surgiu
no início de 2021, envolvendo cerca de 800 pessoas de várias áreas de
atividade.