Mota Amaral quer os Açores no Conselho de Ministros da União Europeia
Hoje 15:38
— Lusa/AO Online
O ‘arquiteto’
da autonomia e ‘pai’ do movimento europeu das ilhas na UE referiu, em
declarações à agência Lusa, que a participação açoriana no Conselho de
Ministros europeu teria lugar sempre que dossiês relevantes para os
Açores fossem debatidos, através da presença do próprio presidente do
Governo Regional ou, em alternativa, responsáveis governamentais que
tutelam as relações externas.“Nós devíamos
estar presentes sempre que houvesse matérias que nos dissessem
respeito. Em geral, dizem-nos respeito, muitas delas”, afirmou o
social-democrata.O também antigo
presidente da Assembleia da República (2002 - 2005) falava no âmbito dos
50 anos das primeiras eleições legislativas regionais dos Açores, que
se realizaram a 27 de junho de 1976, tal como na Madeira.João
Mota Amaral liderou, mesmo antes da adesão de Portugal e Espanha à UE,
em 1986, através do Conselho da Europa, um movimento europeu que
culminou na definição do conceito de ultraperiferia e na sua
consolidação no Tratado europeu.O antigo
presidente do Governo dos Açores (entre 1976 e 1995) identifica como um
dos maiores desafios com que se confrontou há 50 anos “unir os
açorianos”, um vez que “cada um estava fechado na sua própria ilha a
tratar dos seus próprios assuntos”, e recordou que “os primeiros
movimentos autonomistas eram distritais, nunca regionais”.Um
outro grande desafio, além do sismo de 1980 na ilha Terceira e ilhas
vizinhas, foi lutar "contra a suspeição" que havia do poder central em
relação à dinâmica das autonomias dos Açores e da Madeira, com as ilhas a
serem olhadas “como uma presa”.Na sua opinião, “ainda hoje se olha para a região como sendo uma possessão portuguesa”.“O
que nós queremos, e que é a essência da autonomia, é ser Portugal aqui
[nas ilhas], com plena independência, poder de decisão e capacidade de
definirmos aquilo que é melhor. Esmagar o interesse regional em nome de
um interesse nacional superior é um ato de colonialismo. Há que inserir
as pretensões das regiões autónomas […].[Fazer] predominar uma parte do
país sobre a outra não pode ser, de forma nenhuma”, disse.Na
sua opinião, volvidos 50 anos, a autonomia “cresceu, foi progressiva,
afirmando-se conforme a sua evolução natural, tendo-se ampliado em todas
as revisões constitucionais e duas revisões posteriores do Estatuto
Político-Administrativo”.Mota Amaral, com
83 anos, considera que é preciso “continuar um processo de
aprofundamento da autonomia" e defende que "os serviços do Estado nos
Açores devem ser autónomos”, como as forças policiais, sendo que a
Justiça “deve ter uma organização própria, com um tribunal de recurso
regional”.Ao movimento autonómico ficou
associado um movimento independentista que “existiu com grande força
naquela altura do verão quente de 1975 e foi desaparecendo”, mas “hoje
mantém a sua posição legítima”, indicou.“Sempre
entendi que deveria ser assim, existir um movimento independentista,
porque é uma solução possível. Não creio que seja a solução que os
açorianos desejam nesta fase. Entendo que a autonomia é a solução que
nos serve melhor”, refere Mota Amaral, que admite ter esta corrente de
pensamento “ajudado, apesar de não ter sido determinante”, na
consolidação da autonomia.