Mota Amaral deseja “força” a Ferro para lidar com críticas
25 Abril
20 de abr. de 2020, 16:33
— Lusa/AO Online
"Ilustre Presidente e querido Amigo,
lamento não poder exprimir com a minha presença o apoio à sua decisão de
celebrar na Assembleia da Republica a Revolução do 25 de Abril, mais
ainda na data dos 45 anos da primeira eleição verdadeiramente
democrática realizada em Portugal", escreveu Mota Amaral, numa mensagem
enviada ao presidente da Assembleia da República (PAR), Ferro Rodrigues.
O ex-presidente do Governo Regional dos
Açores justifica a sua ausência com as restrições impostas a viagens
entre os Açores e Lisboa, devido ao surto pandémico da covid-19, sem
deixar de agradecer o "gentil convite" que lhe foi enviado."E
força para aguentar a crítica dos que não gostam do espírito de
Abril!", remata o social-democrata, fazendo referência ao conjunto de
acusações de que tem sido alvo relacionadas com as celebrações do 25 de
Abril no parlamento.Devido às restrições
impostas pela pandemia de covid-19, a Assembleia da República decidiu na
quarta-feira realizar a sessão solene do 25 de Abril no parlamento com
um terço dos deputados (77 dos 230 parlamentares) e menos convidados,
com o gabinete de Ferro Rodrigues a estimar que estejam presentes cerca
de 130 pessoas, contra as 700 do ano passado.A
decisão da conferência de líderes teve o apoio da maioria dos partidos:
PS, PSD, BE, PCP e Verdes. O PAN defendeu o recurso à videoconferência,
a Iniciativa Liberal apenas um deputado por partido, enquanto o CDS-PP -
que propôs uma mensagem do Presidente da República ao país - e o Chega
foram contra.Nos últimos dias tem-se
intensificado a polémica à volta do tema, com duas petições 'online' em
sentido contrário: uma que pede o cancelamento da sessão solene no
parlamento, lançada há vários dias, e que recolhia por volta das 20:30
de hoje cerca de 87.500 assinaturas, enquanto outra que defende a
celebração pela Assembleia da República, colocada 'online' no sábado,
contava com mais de 18.700 subscritores, encabeçada por históricas
figuras de esquerda como Manuel Alegre, Fernando Rosas e Domingos
Abrantes.No sábado, o líder do CDS-PP,
Francisco Rodrigues dos Santos, anunciou que não iria à sessão solene do
25 de Abril no parlamento, por a considerar "um péssimo exemplo para os
portugueses", e o deputado único do Chega, André Ventura, escreveu ao
presidente do parlamento, pedindo a Ferro Rodrigues que cancele a
sessão, dizendo que esta "está a gerar um enorme sentimento de revolta e
indignação no povo português".Em
declarações ao jornal Público no sábado, o presidente da Assembleia da
República, Ferro Rodrigues, assegurou que, "mais do que em qualquer
outro momento, o 25 de Abril tem de ser e vai ser celebrado na AR"."Celebrar
o 25 de Abril é dizer que não sairá desta crise qualquer alternativa
antidemocrática", afirmou a segunda figura do Estado.