Mortes por 'overdose' aumentaram 45% em 2021 sobretudo com cocaína e metadona
7 de dez. de 2022, 13:11
— Lusa/AO Online
Os dados
constam do Relatório Anual sobre a Situação do País em Matéria de Drogas
e Toxicodependência em 2021 do Serviço de Intervenção nos
Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).O
documento destaca também que o número de mortes por ‘overdose’ com
cocaína (51%) foi o mais elevado desde 2009. Em 39% dos óbitos foi
detetada a presença de opiáceos.Segundo o
relatório, os valores registados nos últimos quatro anos de ‘overdoses’
com cocaína e com opiáceos foram os mais altos desde 2011.Na
grande maioria (84%) das ‘overdoses’ havia mais do que uma substância,
destacando-se as benzodiazepinas (58%) e o álcool (22%).Além
das 74 mortes por ‘overdose’, foram registados outros 339 óbitos por
outras causas e que apresentaram resultados toxicológicos positivos, um
numero que tem vindo a aumentar desde 2016, atingindo em 2021 o valor
mais alto desde 2008.Os dados indicam que 42% destas mortes foram atribuídas a morte natural, 36% a acidentes, 13% suicídio e 3% homicídio.No
ano passado, estiveram em tratamento 23.932 utentes com problemas
relacionados com o uso de drogas no ambulatório da rede pública, referem
os dados, salientando que, dos 3.236 utentes que iniciaram tratamento,
1.538 eram readmitidos e 1.698 novos utentes. Apesar
de ter havido um ligeiro aumento (inferior a 2%) entre 2020 e 2021 dos
utentes em tratamento no ambulatório, após as descidas nos quatro anos
anteriores, ainda está "muito aquém dos valores pré-pandemia”.Na
rede pública e licenciada registaram-se 440 internamentos relacionados
com o uso de drogas em Unidades de Desabituação (mais 45% relativamente a
2020) e 1.980 em Comunidades Terapêuticas (+8%), correspondendo a 52% e
56% do total de internamentos nestas estruturas. "Estes
internamentos aumentaram face a 2020, ano em que houve decréscimos
relevantes devido à pandemia, após a tendência de estabilidade entre
2016-2019", refere o relatório, observando que o número de internamentos
em comunidades terapêuticas já está próximo dos valores pré-pandemia,
mas os das unidades de desabituação ainda estão "muito aquém". Apesar
de a heroína continuar a ser a droga principal mais referida entre os
utentes em ambulatório e nas Unidades de Desabituação, no caso dos
utentes das comunidades terapêuticas e dos novos utentes em ambulatório,
a cocaína e a canábis são predominantes. Em
2021, os consumos recentes de droga injetada variaram entre 3% e 14%
nos vários grupos de utentes em tratamento, e as práticas recentes de
partilha de seringas totalizaram entre 9% e 28% nos consumidores de
drogas por via injetável.“Considerando a
heterogeneidade dos perfis demográficos e de consumo dos utentes em
tratamento, torna-se essencial continuar a diversificar as respostas e a
apostar nas intervenções preventivas de comportamentos de consumo de
risco”, defende o relatório.No final de
dezembro de 2021 estavam integrados 54 reclusos em programas orientados
para a abstinência e 850 em programas farmacológicos (838 com agonistas
opiáceos e 12 com antagonistas).