Mortes por intoxicação alcoólica aumentaram 32% em 2021
7 de dez. de 2022, 13:03
— Lusa/AO Online
Apesar
deste aumento, após as descidas nos dois anos anteriores, o número
ainda se mantém abaixo do valor registado em 2019, refere o documento
que está hoje a ser apresentando na Assembleia da Republica pelo
diretor-geral do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e
nas Dependências (SICAD) João Goulão, e pelo subdiretor, Manuel Cardoso.Além
destas 41 mortes, foram registados mais 973 óbitos positivos para o
álcool e com informação da causa de morte, 34% foram atribuídos a morte
natural, 32% a acidente, 12% a suicídio e 4% a intoxicação alcoólica. Cerca
de 32% destes óbitos foram positivos só para o álcool, e em 39% foram
detetados só álcool e medicamentos, sobretudo benzodiazepinas. Das
148 vítimas mortais de acidentes de viação que estavam sob a influência
do álcool, 82% eram condutores, 13% peões e 5% passageiros.“Após
a relevante quebra em 2020, em 2021, ainda com períodos de restrições à
circulação impostas pela pandemia, voltou a aumentar o número destas
vítimas (+19%), embora ainda com valores inferiores aos de 2016-2019,
quando houve um aumento contínuo, com o valor de 2019 a ser o mais
elevado de 2013-21”, lê-se no relatório.Em
2021, estiveram em tratamento no ambulatório da rede pública 13.242
utentes com problemas relacionados com o uso de álcool. Dos 4.478 que
iniciaram tratamento no ano, 1.320 eram readmitidos e 3.158 novos
utentes. Segundo o relatório, o número de
utentes em ambulatório aumentou 4% no ano passado, após a descida em
2020 (o valor mais baixo desde 2016), estando ainda um pouco aquém dos
valores pré-pandemia.Os que iniciaram
tratamento no ano aumentaram 28% face a 2020, sendo o acréscimo de novos
utentes (29%) próximo ao de readmitidos (26%), contrariamente ao ano
anterior, em que a descida foi “bem mais acentuada” nos novos utentes
(-28% nos novos e -11% nos readmitidos). “Face
a esta evolução, o número de readmitidos em 2021 ultrapassou os níveis
pré-pandémicos representando o valor mais elevado desde 2012,
mantendo-se o número de novos utentes ainda um pouco inferior”, sublinha
o relatório do SICAD.Os internamentos em
Unidades de Alcoologia/Unidades de Desabituação aumentaram 40%
relativamente a 2020, ano em que se verificou um decréscimo relevante
devido à pandemia, após a tendência de estabilização entre 2017-19.
Apesar deste aumento, os números ainda estão “muito abaixo” dos
registados antes da pandemia.Também nas
Comunidades Terapêuticas houve um acréscimo de 13% dos internamentos,
após a descida em 2020 que quebrou o aumento desde 2013, atingindo já os
números antes da pandemia.Os dados
adiantam que foram internados 4.703 doentes cujo diagnóstico principal
era atribuível ao consumo de álcool, na sua maioria relacionados com
doença alcoólica do fígado (69%) e dependência de álcool (19%). “Verificou-se
uma subida destes internamentos (+14% em Portugal Continental) após a
quebra em 2020, embora continuem aquém dos valores de 2018 e 2019, anos
com aumentos dos internamentos e os valores mais altos do período
2017-2021”, indica o documento. Com os
diagnósticos secundários, os internamentos passam a ser bastante
superiores (39.874), atingindo em 2021 os valores mais altos dos últimos
cinco anos. Também os indicadores de
problemas sociais/legais registaram aumentos em 2021, após as descidas
sofridas em 2020 devido à pandemia.Em 2021
houve 545 diagnósticos principais relativos a comportamentos
relacionados com o consumo de álcool que afetam o bem-estar e
desenvolvimento da criança (+18% face a 2020), 51 em que a criança ou
jovem assume esses comportamentos (+24%) e 494 em que são expostos a
eles (+18%). “Após a diminuição destas
sinalizações e diagnósticos em 2020, os valores aumentaram em 2021, com
as sinalizações e diagnósticos de exposição da criança/jovem àqueles
comportamentos a atingir os valores mais elevados dos últimos cinco
anos”, acrescenta.