Morreu o pintor e ceramista Manuel Cargaleiro aos 97 anos
30 de jun. de 2024, 13:44
— Lusa
Manuel Cargaleiro "morreu tranquilo, rodeado pelos seus, adormeceu", disse a sua companheira.O
artista plástico nasceu em 16 de março de 1927 em Chão das Servas, no
concelho de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco. A
sua obra foi fortemente inspirada no azulejo tradicional português. Em
1949, ingressou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e participou
na Primeira Exposição Anual de Cerâmica, no Palácio Foz, em Lisboa,
onde realizou a sua primeira exposição individual de cerâmica, no ano de
1952.No início de carreira, ainda na
década de 1950, recebeu o Prémio Nacional de Cerâmica Sebastião de
Almeida, e o diploma de honra da Academia Internacional de Cerâmica, no
Festival Internacional de Cerâmica de Cannes, em França, numa altura em
que iniciara funções de professor de Cerâmica na Escola de Artes
Decorativas António Arroio e apresentara as suas primeiras pinturas a
óleo no Primeiro Salão de Arte Abstrata.Nas
décadas de 1960 e 1970, participou em exposições individuais e
coletivas e durante este período afirmou-se não apenas como conceituado
ceramista, mas também como desenhador e pintor. Nos anos 1980 começou a
explorar a tapeçaria.A partir da década de
1990, predominariam na sua obra os padrões aglomerados e cromaticamente
intensos onde continuaria a ser evocado o azulejo português.Em
Castelo Branco, viria a ser inaugurada a Fundação Manuel Cargaleiro, em
1990, depois expandida com o respetivo museu e mais tarde, no Seixal,
distrito de Setúbal, a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro.No
último ano teve patente as exposições "Eu Sou... Cargaleiro", no
Mosteiro de Ancede - Centro Cultural de Baião, no distrito do Porto, uma
mostra de pintura na Casa Museu Teixeira Lopes - Galerias Diogo de
Macedo, em Vila Nova de Gaia, intitulada "Cargaleiro, Pintar a Luz Viver
a Cor", e uma exposição de gravura no Fórum Cultural de Ermesinde, em
Valongo, de nome "A essência da cor". Este ano levou obras nunca
expostas à sua oficina, no Seixal.O
ceramista recebeu, em Paris, em 2019, a medalha de Mérito Cultural do
Governo português e a Medalha Grand Vermeil, a mais alta condecoração da
capital francesa, onde viveu grande parte da sua vida.Na
altura, foi também inaugurada a ampliação da estação de metro de Champs
Elysées-Clémenceau, com novas obras de Manuel Cargaleiro, depois de
originalmente concebida e totalmente decorada pelo artista português, em
1995, incluindo o painel em azulejo "Paris-Lisbonne".Em 2017, no exato dia do seu 90.º aniversário, foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique.