Morreu O. J. Simpson, ex-estrela do futebol americano
11 de abr. de 2024, 18:08
— Lusa
“Em 10 de
abril, o nosso pai, Orenthal James Simpson, morreu, sucumbindo no
combate contra um cancro. Estava acompanhado dos seus filhos e netos”,
escreveu a família do antigo jogador, nascido em São Francisco, em 09 de
julho de 1947, na rede social X (antigo Twitter).A
carreira de enorme sucesso no futebol americano fez de O. J. Simpson
uma das primeiras estrelas negras nos Estados Unidos, mas o antigo
jogador será sempre lembrado pelo ‘julgamento do século’, no qual
respondeu pela morte da ex-mulher e de um amigo.Em
1995, O. J. Simpson foi ilibado dos crimes de homicídio de Nicole Brown
e de Ronald Goldman, cometidos em Los Angeles, um veredito controverso,
que continua a suscitar muitas dúvidas nos Estados Unidos, quase 30
anos depois de ter sido proferida a sentença.“Não
sou negro, sou O. J.”, costumava dizer o antigo ‘running back’, figura
maior durante vários anos da Liga Norte-americana de Futebol (NFL), o
que lhe proporcionou fama e fortuna, tendo-lhe mesmo aberto as portas de
uma nova carreira, de ator, em Hollywood.A
queda abrupta de O. J. Simpson foi transmitida em direto na televisão,
que acompanhou a perseguição policial que conduziu à sua detenção e
seguiu depois, avidamente, todas as incidências do julgamento,
monopolizado pela componente racial.Apesar
da absolvição em 1995, um caso cível separado condenou-o, dois anos
depois, a pagar 33,5 milhões de dólares aos familiares de Brown e
Goldman, pela responsabilidade nas suas mortes, um valor avultado que os
advogados ainda lutam para que as famílias das vítimas possam receber.Mais
tarde, viria a passar nove anos encarcerado no Nevada, por assalto à
mão armada e outros delitos, saindo em liberdade condicional em outubro
de 2017.O primeiro 'running back' a correr
mais de duas mil jardas numa temporada, famoso pelo tempo nos Buffalo
Bills, esteve décadas debaixo do olho mediático e da opinião pública,
com a absolvição como tema principal, considerando o próprio que a maior
parte dos norte-americanos "não acredita" que tivesse cometido os
homicídios."Morreu sem fazer penitência",
disse hoje o advogado David Cook, que representa a família Goldman em
busca do devido após o caso cível.O pai de
Ronald Goldman, Fred Golman, reagiu entretanto à NBC News, dizendo que
esta "não é uma grande perda para o mundo, só mais uma lembrança da
morte de Ron".