Morreu líder histórico da extrema-direita francesa, Jean-Marie Le Pen
7 de jan. de 2025, 12:09
— Lusa/AO Online
“Jean-Marie Le Pen, rodeado pela sua
família, foi chamado de volta a Deus às 12h00”,
declarou a família num comunicado enviado à AFP.A
notícia da morte apanhou de surpresa a sua filha Marine Le Pen, que
estava a regressar a Paris vinda do arquipélago francês de Mayotte, no
Oceano Índico, e que foi informada pelos jornalistas, disse um
correspondente especial da France Info que viajava com a política no
avião. O fundador da Frente Nacional
(criado em 1972), atual União Nacional (RN, na sigla em francês),
retirou-se progressivamente da vida política a partir de 2011, quando a
sua filha Marine assumiu a presidência do partido, que liderou até
novembro de 2023.Figura polarizadora na
política francesa, Le Pen era conhecido pela sua retórica inflamada
contra a imigração e o multiculturalismo, que lhe valeu tanto apoiantes
fiéis como uma condenação generalizada. As
suas declarações polémicas conduziram a múltiplas condenações e
prejudicaram as suas alianças políticas, mas o político nunca se
arrependeu dos seus excessos, muitas vezes repetidos: das câmaras de
gás, “um pormenor da História”, à “desigualdade das raças” (1996),
passando pela ocupação alemã “não particularmente desumana” (2005) ou
pela agressão física a um adversário socialista (1997).Le Pen chegou à segunda volta das eleições presidenciais de 2002, então com 73 anos e na sua quarta candidatura ao Eliseu.Este
resultado surpreendente desencadeou marchas, que juntaram milhões de
pessoas durante 15 dias, contra o racismo. Acima de tudo, Jean-Marie Le
Pen facilitou a reeleição do seu inimigo declarado, Jacques Chirac.Mais
tarde, ele e a sua filha acabariam por se afastar. Em 2018, Marine Le
Pen mudou o nome do partido para se demarcar da sua imagem “demonizada” e
expandir o seu apelo eleitoral, culminando no seu próprio sucesso
presidencial. Apesar da sua exclusão do
partido em 2015, o legado divisivo de Le Pen perdura, marcando décadas
da história política francesa e moldando a trajetória da
extrema-direita.“Alistado com o uniforme
do exército francês na Indochina e na Argélia, tribuno do povo na
Assembleia Nacional e no Parlamento Europeu, sempre serviu a França,
defendeu a sua identidade e a sua soberania”, saudou hoje o presidente
do RN, Jordan Bardella.