Morreu advogado José Manuel Galvão Teles aos 84 anos
2 de mar. de 2023, 17:45
— Lusa
José
Manuel Galvão Teles era advogado há 60 anos, com inscrição na Ordem dos
Advogados em 1963 e desde jovem que se destacou na luta ativa pela
democracia, tendo ficado “reconhecido como um político convicto da
importância dos direitos fundamentais e um homem de cultura”.Fundou
a Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados, uma fusão
de dois dos principais escritórios de advocacia, e recebeu em 2010 a
Medalha de Honra da Ordem dos Advogados em 2010 refere a sociedade, numa
nota de pesar hoje divulgada. “A sua
experiência na advocacia portuguesa é, em si mesma, uma representação
fiel da história político-económica de Portugal, tendo defendido réus
acusados de crimes políticos durante o Estado Novo, participou depois em
processos internacionais pela paz e contra o 'apartheid', consolidando
no Portugal democrático uma carreira dedicada às fusões e aquisições,
mas também ao contencioso, tendo patrocinado algumas das ações cíveis de
maior valor julgadas em tribunais portugueses e, com sucesso, alguns
dos mais importantes e mediáticos processos-crime”, refere comunicado.Galvão
Teles foi membro do Conselho de Estado, embaixador de Portugal junto
das Nações Unidas entre 1975 e 1976, num período considerado fundamental
para a negociação da descolonização, e chefe de delegação em
importantes missões de natureza política e económico-financeira. Em
2005 foi agraciado pelo então Presidente da República Jorge Sampaio com
a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, tendo sido em novembro de 2022
condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade pelo chefe de Estado
Marcelo Rebelo de Sousa.Foi presidente da
Juventude Católica, fundador e dirigente da “Cooperativa Pragma”
(dissolvida posteriormente pela PIDE), editor dos “Cadernos GEDOC”,
presidente do “Centro Nacional de Cultura” e colaborador da revista “O
Tempo e o Modo” (e consequentemente interrogado pelo regime quanto às
atividades desenvolvidas), candidato a deputado pela Oposição (CDE) nas
eleições de 1969 e advogado de defesa em importantes processos
políticos, como a defesa do arquiteto Nuno Teotónio Pereira. Opôs-se
sempre à guerra colonial, com uma voz muito ativa, intervindo e
alertando publicamente para a situação política nacional, escreve a
revista Advocatus.Fundou e foi dirigente
de várias associações e fundações privadas ligadas à cultura, como a
Fundação de Serralves, a Fundação Mário Soares, a Fundação das Casas de
Fronteira e Alorna e a Fundação Júlio Pomar.