Moradores queixam-se de múltiplos assaltos no centro de Ponta Delgada
20 de jun. de 2025, 11:07
— Carolina Moreira
Vários moradores das ruas do Colégio, D’Água e Dr. Bruno Tavares
Carreiro queixam-se da insegurança que sentem no dia-a-dia e pedem mais
policiamento e maior iluminação no centro de Ponta Delgada.Ao
Açoriano Oriental chegam queixas de múltiplos arrombamentos e furtos a
viaturas estacionadas na rua, negócios de droga e abordagens hostis a
mulheres e crianças à porta de casa e um sentimento generalizado de
insegurança que impede saídas a partir de determinadas horas do dia.Apesar
de serem apresentadas queixas à Polícia de Segurança Pública (PSP), os
moradores afirmam que “são sempre os mesmos” que veem na rua a cometer
os múltiplos crimes, considerando que já existe um “sentimento de
impunidade nestas pessoas”, uma vez que “até se riem” quando são
apanhadas em flagrante delito pela vizinhança.Os moradores dizem que
já chegaram ao ponto de instalar câmaras nas próprias viaturas para
poderem ter provas concretas para apresentar à PSP.É por isso que
pedem, tanto à Câmara Municipal de Ponta Delgada como à PSP, maior
presença policial no centro da cidade e também maior iluminação em
certas ruas centrais, para desincentivar a prática de crimes e diminuir o
sentimento de insegurança instalado.Questionado o Comando Regional da PSP, o porta-voz Eurico Machado confirma as queixas e diz que estão em curso as investigações.“Efetivamente,
temos aqui registo de algumas situações de furtos, designadamente nas
artérias da cidade mencionadas, sobretudo furtos em veículos. Depois das
denúncias formalizadas, é aberta uma investigação no sentido de
apurarmos os infratores para serem responsabilizados. Como são processos
recentes, ainda não podemos dar feedback sobre o seu resultado final.
Estão em investigação”, garantiu o comissário da PSP.Além da
averiguação dos crimes cometidos, Eurico Machado frisa que a PSP aposta
em ações de visibilidade, como o patrulhamento, nas zonas onde são
reportados os incidentes.“Para além da investigação dos crimes,
tentamos direcionar o policiamento para o local onde estamos a ter maior
incidência. É por isso que muitas, vezes, acontece a deslocalização do
crime”, ressalva.Questionado sobre o sentimento de impunidade dos
infratores, o comissário salienta que “nem sempre o suspeito da prática
de um crime acaba por ir preso ou ter uma medida de coação de prisão
preventiva”.No entanto, alerta para a importância de formalizar as
queixas. “Devem continuar a formalizá-las. Até porque, quando existem
muitos processos contra o mesmo indivíduo, mesmo que sejam de crimes
menos graves, todo esse conjunto acaba por possibilitar à autoridade
judiciária de condenar o indivíduo”, destaca em esclarecimentos ao
Açoriano Oriental.Perante o relato de alguns moradores relativamente
a dificuldades em apresentar queixa na PSP, constando o facto de isso
desincentivar o reporte formal dos crimes, Eurico Machado garante as
esquadras têm “um elemento no atendimento ao público, disponível 24
horas por dia, todos os dias do ano”.“Muitas vezes não temos
recursos para manter a porta aberta, mas o agente está presente na
esquadra com a porta fechada por uma questão de segurança. Por isso, o
atendimento ao público está sempre salvaguardado”, considera.Sobre
os números preliminares da criminalidade em São Miguel, o porta-voz da
PSP afirma que, “comparativamente ao ano passado, os nossos dados
mostram uma menor incidência de crimes de uma forma geral”.“A nível
da criminalidade violenta e grave, como situações de roubo, de agressões
gravosas que envolvam armas brancas ou mesmo armas de fogo, também tem
vindo a diminuir. Mas ainda estamos a meio do ano e, no final, o
Relatório Anual de Segurança Interna terá dados mais concretos”,
constata.