Moradores no Talude Militar continuam em tendas, ação pública agendada para dia 30
21 de jul. de 2025, 10:25
— Lusa/AO Online
Segundo disse à
Lusa Kedy Santos, deputado municipal pela CDU na Câmara de Loures, a
situação no bairro mantém-se “inalterada” e “não houve solução nenhuma”
para as pessoas que permanecem no bairro.“A
situação é de frustração” entre quem ficou sem teto, acrescenta o
também elemento do movimento Vida Justa, que tem prestado apoio aos
moradores do Talude Militar.Os trabalhos
de limpeza foram hoje suspensos, quer por parte dos serviços públicos,
quer por parte dos voluntários, que no sábado passaram o dia no bairro.O Vida Justa deverá voltar a fazer um apelo de colaboração semelhante para o próximo sábado.Entretanto,
moradores e ativistas realizaram um plenário para prepararem as
próximas ações, tendo decidido que farão uma ação pública no dia 30,
adiantou Kedy Santos.Uma das propostas em
cima da mesa é a entrega da carta aberta “Parar os despejos e resolver a
situação da habitação” no edifício onde se reúne o Conselho de
Ministros, em Lisboa.Isto porque o Vida
Justa quer vincar que o problema da habitação não se limita às
autarquias e tem de envolver o governo central, defendendo a criação de
“um programa nacional de emergência habitacional”.A
carta aberta lançada pelo Vida Justa na quarta-feira já recolheu mais
de três mil assinaturas individuais e o apoio de mais de uma centena de
associações e coletivos.Kedy Santos
realçou também que a campanha de recolha de donativos para os moradores
do Talude Militar “superou as expectativas”, tanto em bens materiais
como financeiros.“No ponto Talude não
temos mais capacidade [para receber donativos], mas disponibilizaram-nos
um armazém”, relatou, adiantando que o movimento admite fazer
distribuição “noutros contextos que têm necessidade”.Positivo
é também o balanço da operação de limpeza que no sábado contou com
cinco dezenas de voluntários no Talude Militar, a que se acabariam por
juntar, mobilizados na véspera pela autarquia de Loures, 40 técnicos,
munidos de máquinas e viaturas de apoio para recolha do muito entulho
que ficou no bairro após as demolições.Loures
iniciou na segunda-feira uma operação de demolição de 64 casas, onde
viviam 161 pessoas, tendo sido demolidas 51 no primeiro dia e outras
quatro no segundo. A operação foi
entretanto suspensa após o despacho de um tribunal de Lisboa, na
sequência de uma providência cautelar interposta por 14 moradores.A
autarquia de Loures (liderada pelo socialista Ricardo Leão) “não
acautelou todas as situações” antes de mandar demolir as habitações
precárias, critica o deputado municipal Kedy Santos.E
agora também não está a responder como deveria: “Há um conjunto de
equipamentos que a câmara poderia colocar à disposição, podia ceder
pavilhões, ginásios, para albergar esta pessoas, nesta situação de
emergência, até encontrarem uma solução.”´Com a ajuda do Vida Justa e de associações locais foram instalados pontos de higiene junto ao bairro.“Durante
a semana será mais complicado, porque as pessoas saem para trabalhar e
muitas vezes chegam quando já não há luz”, antecipa Kedy Santos.“Mesmo
as pessoas que estão em pensões [alojadas pela autarquia] deixam as
crianças no bairro, porque não têm quem tome conta delas enquanto vão
trabalhar”, nota o deputado municipal.Das
55 famílias que ocupavam as construções precárias demolidas esta semana,
14 estão a receber apoio da Câmara Municipal de Loures, que disse ter
atendido 38 dos agregados até sexta-feira.Segundo
informações da autarquia, outras 14 famílias encontraram alternativa
habitacional junto de familiares ou amigos, três recusaram o apoio e
sete não manifestaram interesse nas soluções apresentadas. De
acordo com os últimos dados disponibilizados, três famílias, com cinco
menores a cargo, continuam com apoio de pernoita e dez famílias, com 21
menores a cargo, encontram-se a receber apoio alimentar.Cinco
famílias conseguiram aceder ao mercado de arrendamento, tendo
beneficiado do apoio municipal para o pagamento da caução e do primeiro
mês de renda, acrescenta a autarquia.