Moradias de Santa Clara concebidas tendo em conta a “facilidade de execução”
Hoje 12:38
— Lucas Rebelo
As novas moradias da freguesia de Santa Clara, no concelho de Ponta Delgada, construídas no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, foram concebidas tendo como principal foco a sua “facilidade de execução”.Bernardo Rodrigues, arquiteto que idealizou o modelo de habitação posto em prática em Santa Clara, explica as características que tornam as referidas casas distintas.“A cobertura das casas apresenta uma ligeira inclinação, sendo composta por telhas. Para além disto, há a recolha das águas, apresentam isolamento térmico e também isolamento que separa a terra do solo das próprias casas, de modo a evitar infiltrações, tendo também um recuperador de calor, o que acaba por dar mais conforto às casas”, indica.Para além disto, cada casa apresenta uma “chaminé coletiva”, que reúne “a iluminação para as escadas centrais e a ventilação das casas de banho e da cozinha”.De modo a evitar os fortes ventos provenientes do mar, as janelas estão direcionadas para sul, fazendo com que as casas apresentem uma ventilação adequada.Projeto contou com apoio desde o inícioBernardo Rodrigues refere ter sido abordado, em 2020, por Orlando Goulart, que desempenhava as funções de diretor regional da habitação. “Os técnicos da direção regional sempre estiveram de acordo com as nossas propostas. Desde início, perceberam a flexibilidade do nosso trabalho”, refere.“Havendo uma ideia concreta daquilo que se pretende desenvolver, é necessário haver flexibilidade de modo que as leis sejam cumpridas. Para que os interesses do cliente sejam defendidos, encaminhando também o construtor para as soluções mais eficazes, é necessário fazer adaptações”, acrescenta.Idealização de um “projeto verde”Bernardo Rodrigues também idealizou o projeto urbanístico da Fonte Bela, na freguesia do Pico da Pedra, no concelho da Ribeira Grande, subscrito pela cooperativa “Nossa Vila Nossa Casa”.O projeto concilia a construção das moradias com as preocupações ambientais, tendo em conta que cria um espaço verde em cada moradia que funciona como uma parte no todo que se pretende que funcione como um parque urbano.“Em vez de betão e asfalto, queremos criar um parque natural com 55 casas, em que cada cooperante ceda parte do seu quintal, de modo a que se forme um jardim comunitário”, esclarece o arquiteto.“A ideia é criar um espaço para as crianças brincarem, para haver zonas comuns e também para criar uma espécie de aqueduto contemporâneo, para recolher as águas da chuva”, complementa.O mesmo indica que, para surpresa sua, o projeto obteve a aprovação imediata dos integrantes da cooperativa.O percurso de Bernardo RodriguesTendo nascido em Ponta Delgada, Bernardo Rodrigues consolidou o seu percurso profissional e académico entre a Europa e os Estados Unidos. Licenciado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto em 1996, o percurso do profissional incluiu um mestrado na Universidade de Columbia, concluído em 1999, e uma investigação em habitação sustentável iniciada na Universidade de Harvard, em 2006.O trabalho do arquiteto tem sido apresentado em certames internacionais, tais como a Bienal de Veneza e as Trienais de Milão e de Lisboa, além de exposições em Tóquio, Istambul e Praga. O arquiteto lecionou e proferiu conferências em instituições como as universidades de Yale e Cornell, tendo o seu trabalho sido nomeado para os prémios EU Mies Awards e publicado em jornais como o The New York Times.