Moody’s espera que Novo Banco continue lucrativo ajudado pelo aumento dos juros no crédito

19 de abr. de 2023, 17:22 — Lusa

O Novo Banco enviou hoje um comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) em que cita a informação da agência de 'rating' Moody’s e na qual esta melhora o ‘rating’ de dívida sénior não garantida do banco de B3 para Ba3. A Moody’s, citada no comunicado, justificou a decisão com a “melhoria significativa do perfil de crédito do Novo Banco” devido à estratégia de diminuição de risco prosseguida no âmbito do plano de reestruturação acordado com a Comissão Europeia.A Moody’s diz ainda que a melhoria da notação financeira do banco reflete a “melhoria significativa das métricas de solvabilidade”, sobretudo melhor qualidade dos ativos, "forte rentabilidade" e maior capacidade de absorção de perdas.Sobre os lucros do banco, a Moody’s disse que espera que em 2023 “a tendência se mantenha” num momento em que os créditos têm taxas de juro mais elevadas enquanto o custo do financiamento cresce de modo mais moderado, o que irá “compensar as pressões negativas decorrentes da alta inflação nos custos operativos e o maior custo do risco”, devido, sobretudo, a eventual subida de crédito malparado.A Moody’s subiu ainda o ‘rating’ dos depósitos de longo prazo do Novo Banco de Ba3 para Ba1.O Novo Banco teve lucros de 560,8 milhões de euros em 2022, o triplo dos resultados positivos registados em 2021 (quando teve pela primeira vez lucros anuais).O Novo Banco foi criado em agosto de 2014, aquando da resolução do Banco Espírito Santo (BES), detido pelo Fundo de Resolução bancário e com uma capitalização inicial de 4.900 milhões de euros. Em 2017, 75% foi vendido ao fundo de investimento norte-americano Lone Star, que não pagou qualquer preço, tendo injetado 1.000 milhões de euros. Nessa venda foi acordado um mecanismo pelo qual o Fundo de Resolução recapitaliza o Novo Banco até 2026, com um limite de 3.890 milhões de euros, por perdas em ativos que afetem rácios de capital.A cada ano, as chamadas de capital do FdR ao Novo Banco provocaram polémica, sobretudo porque muito do dinheiro injetado veio do Orçamento do Estado. Ao abrigo deste acordo, o Novo Banco já recebeu 3.405 milhões de euros de dinheiro público.Contudo, ainda seguem disputas entre o Novo Banco e o Fundo de Resolução (desde logo em tribunal arbitral) que poderão levar a que seja colocado mais dinheiro, apesar de que em referência a 2022 o banco não ter pedido nova injeção de capital. De momento, o Novo Banco é detido em 75% pelo Lone Star, sendo o restante capital detido pelo Fundo de Resolução bancário e diretamente pelo Estado português.Desde o verão passado que o presidente executivo do Novo Banco é o irlandês Mark Bourke (anteriormente administrador financeiro), que sucedeu a António Ramalho.