Montenegro promete programa de emergência na saúde até junho
Governo
3 de abr. de 2024, 07:00
— Lusa/AO Online
No
seu discurso de tomada de posse, Luís Montenegro prometeu, na área da
saúde, que o Governo irá “implementar uma reforma estrutural que
fortaleça e preserve o SNS como a base do sistema, mas que aproveite a
capacidade instalada nos setores social e privado, sem complexos
ideológicos inúteis e com uma única preocupação: o cidadão”.“Tal como prometemos, elaboraremos um Programa de Emergência que virá a público antes do dia 02 de junho”, disse.Já
na área da corrupção, anunciou que irá propor a todos os partidos com
assento parlamentar a abertura de um diálogo com vista a uma fixar uma
agenda ambiciosa, eficaz e consensual de combate à corrupção.“O
objetivo é no prazo de dois meses ter uma síntese de propostas, medidas
e iniciativas que seja possível acordar e consensualizar, depois de
devidamente testada a sua consistência, credibilidade e exequibilidade”,
disse, defendendo que "ninguém tem o monopólio das melhores soluções".A
partir daí, acrescentou, o executivo irá focar-se na aprovação das
respetivas leis, "seja por proposta do Governo, seja por iniciativa do
parlamento”.“A ministra da Justiça fará a
interlocução do lado do Governo, tomando a iniciativa, logo a seguir à
investidura parlamentar, de contactar os vários partidos e de iniciar
este processo de diálogo. Esperamos a abertura e disponibilidade de
todos, em nome de uma vontade forte de busca de consensos numa área
crucial”, disse.O primeiro-ministro
destacou que, nos 50 anos do 25 de Abril, “este esforço de consenso será
uma boa forma de celebrar a democracia”.Na
sua intervenção de menos de meia hora, Montenegro fez questão de
explicar a razão de ter criado um novo Ministério, da Juventude da
Modernização, que traduziu por “combate à burocracia”.“Tomei a iniciativa de criar um novo ministério que visa dar a esses dois temas um tratamento transversal no Governo”, disse.Para
Montenegro, a modernização do Estado “tem de significar que em todos os
ministérios, em todas as decisões são considerados os efeitos de
simplificação, digitalização e desburocratização”.“O
Estado tem de comunicar melhor e mais eficazmente com os cidadãos e as
empresas e também tem de comunicar melhor e mais eficazmente dentro de
si próprio. Seja qual for a área. A ideia é todo o Estado funcionar à
mesma velocidade e com os mesmos instrumentos”, explicitou.Sobre
o papel central que quis dar à juventude, reiterou a sua preocupação
com a emigração dos mais qualificados - tema central na sua campanha
eleitoral -, e que classificou hoje como “um flagelo familiar, social e
económico”.“Não podemos mais assobiar para
o ar e negligenciar esta realidade. Precisamos de atuar de forma
conjugada e transversal para dizer aos nossos jovens que acreditem no
seu país (…) Da fiscalidade à educação, da saúde à habitação, dos
transportes ao ambiente, das leis laborais à cultura e ao desporto,
todas as políticas públicas devem salvaguardar o objetivo de fixarmos em
Portugal o nosso talento e a nossa capacidade de trabalho”, defendeu.Luís
Montenegro terminou a sua intervenção citando a frase do Papa Francisco
na Jornada Mundial da Juventude de Lisboa – “todos, todos, todos” –
para apelar à colaboração de todos os setores da sociedade, incluindo os
partidos políticos, e evocou até o poeta Luis Vaz de Camões,
assegurando que os 500 anos do seu nascimento merecerão ainda este ano
“a devida celebração”.“Escreveu no canto I
d´ ‘Os Lusíadas’: ‘Que tenha longos tempos o Governo (…). A gente anda
perdida e trabalhada. Já parece bem feito que lhe seja/ Mostrada a nova
terra que deseja”, disse, apelando à união de “todos, todos, todos por
Portugal”.