Montenegro reconhece que foi provocatório com jornalistas mas considera reação exagerada
11 de out. de 2024, 11:36
— Lusa/AO Online
“Aceito
que fui provocatório q.b., mas a reação a que assisti de vários
quadrantes, além de manifestamente exagerada, foi muito
descontextualizada. Sim, porque havia um contexto!”, escreve Luis
Montenegro, num texto publicado no jornal Expresso.O
texto surge depois das reações de vários quadrantes políticos e do
Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas às criticas que
Montenegro fez esta semana aos jornalistas, a quem disse serem
“sopradas” perguntas através de auriculares.No
texto que escreve, Montenegro disse que na mesma ocasião se
mostrou "preocupação com a cada vez maior precariedade laboral dos
jornalistas, que dificilmente não é prejudicial aos direitos de informar
e ser informado"."Como disse também, o
regime precisa tanto de bons políticos como de bons jornalistas, porque
ambos são essenciais à democracia, que só uma informação rigorosa,
isenta e que não vá apenas atrás do tema do dia assegura", escreve.O
primeiro-ministro lembrou ainda que, na mesma ocasião, reiterou que, no
sue entender, "a cobertura de um evento ou acontecimento deve
concentrar-se mais nisso e evitar a canibalização dos temas que se
afunilam na procura incessante pela reação do chamado 'assunto do dia'",
sublinhando que nos últimos dois anos se confrontou com situações
dessas “inúmeras vezes” quando percorreu, com a imprensa, os 308
municípios do país. “Não raras vezes
estava a falar de temas concretos, que na minha perspetiva eram
relevantes (como, por exemplo, a política florestal ou a política da
água), respondendo a perguntas pertinentes dos jornalistas, e, de
repente, percebia que eles eram instados a mudar de tema e a fazer as
perguntas que lhes eram solicitadas sobre o tal ‘assunto do dia’”,
escreve.O primeiro-ministro diz ainda não
desconhecer ”a utilidade dos auriculares e dos telemóveis no exercício
profissional dos jornalistas”, nem a utilidade e o potencial das redes
sociais, quando utilizadas com rigor”. “Eu
próprio e os membros do meu Governo utilizamos esses aparelhos na nossa
intercomunicação e as redes sociais como poderosa ferramenta de
comunicação direta. A questão que abordei não era essa”, justifica,
acrescentando: “A minha perspetiva foi sempre de valorização do papel
insubstituível do jornalismo e da sua afirmação pela qualidade e
responsabilidade”.Na abertura da
conferência sobre “O futuro dos media”, em Lisboa, na terça-feira, onde
foi apresentado o plano do Governo para a comunicação social, Montenegro
disse pretender em Portugal um jornalismo livre, sem intromissão de
poderes, sustentável do ponto de vista financeiro, mas mais tranquilo,
menos ofegante, com garantias de qualidade e sem perguntas sopradas.“Digo-vos
isto preocupado com as garantias de qualidade naquilo que é o exercício
de uma profissão efetivamente muito relevante”, declarou Montenegro,
que fez várias apreciações sobre a atividade jornalística, considerando
que “é tão importante ter bons políticos como bons jornalistas para que a
democracia funcione”.