Montenegro quer “grande casa da alternativa não socialista” e Marcelo em Belém até 2026

30 de dez. de 2019, 07:14 — Lusa/AO Online

Estas são algumas das propostas do ex-líder parlamentar do PSD e candidato a presidente do partido na moção estratégica que entrega hoje ao fim da manhã na sede nacional, em Lisboa, e apresenta, à noite, em Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro.Apesar de já ter feito afirmações, no início do mês, a incentivar uma recandidatura de Marcelo à Presidência da República, agora, no texto da moção, a cuja síntese a Lusa teve acesso, Montenegro é mais claro, apesar de afirmar o respeito pelo “cariz individual e suprapartidário” da “decisão pessoal” e “autónoma” do atual Chefe do Estado. “O PSD incentiva e não se eximirá de manifestar o seu convicto e incondicional apoio a uma eventual recandidatura do atual Presidente da República”, lê-se no texto. E elogia o “sentido de Estado, o espírito de missão, a atitude congregadora e solidária, a visão estratégica, a opção equilibradora, a ação exemplarmente independente e a proximidade ativa e afetiva” de Marcelo Rebelo de Sousa, “motivo de orgulho e esperança de futuro para o PSD”.Se for eleito nas diretas de janeiro de 2020, Montenegro promete fazer, no partido, um “laboratório de ideias na construção de um projeto político” alternativo ao do PS. O PSD, escreveu no texto da moção, “atravessa um tempo difícil” depois dos “resultados eleitorais historicamente baixos” nas legislativas, sob a atual liderança de Rui Rio, “da redução da presença autárquica, de dificuldade na abertura à sociedade e de recrutamento de novos quadros qualificados”.Porque "o PSD não está condenado ao definhamento", a estratégia passa por colocar o partido como a “grande casa da alternativa não socialista, que sempre soube envolver e potenciar sinergias e contributos de pessoas e visões não socialistas, moderadas e europeístas, que acreditam na iniciativa individual e na economia de mercado, mas que impõem uma forte consciência social em toda a ação política”.O PSD, acrescentou ainda, “é o partido personalista e reformista, de política popular e democrática”, assumindo as “raízes” sociais-democratas.Nesta parte do texto, ao abordar os riscos do populismo na Europa, no Mundo e até em Portugal, Montenegro faz ainda uma advertência sem destinatário identificado ao afirmar: “Devemos começar por evitar qualquer laivo de tentativa de imposição de populismos antissistema ou de uma liderança unipessoal e autoritária no nosso PSD”.Na moção, o líder parlamentar social-democrata durante o Governo liderado por Pedro Passos Coelho admite, ainda que implicitamente, que o atual governo minoritário poderá não cumprir quatro anos de mandato, ao escrever que as legislativas se podem realizar “até 2023”.É na parte do texto em que afirma que, caso vença, “o PSD iniciará de imediato a preparação das próximas eleições legislativas que decorrerão até 2023”.De resto, promete também uma “oposição firme e exigente” nos dois anos de mandato como líder do PSD, tentando afirmar-se como “a única verdadeira alternativa política ao PS”.Embora insista na crítica a Rui Rio, por ter feito acordos e por se ter subalternizado ao executivo e ao PS, Luís Montenegro não excluiu eventuais entendimentos com o executivo, ou, como escreveu na moção - “abordagem suprapartidária e que visem perdurar para lá de governações conjunturais”, "colocando o interesse nacional acima de qualquer interesse partidário, com sentido de Estado e com visão de futuro”.Na síntese a que a Lusa teve acesso, Montenegro defende que, para voltar a ganhar eleições, “o partido precisa de começar por se reformar a si próprio”, mas não concretiza, afirmando que quer “unir o partido, acarinhar a militância, reforçar a autoestima partidária, galvanizar as melhores ideias, mobilizar os melhores quadros e defender uma causa comum”.As eleições diretas do PSD realizam-se em 11 de janeiro. São candidatos à liderança o atual presidente do PSD, Rui Rio, o antigo líder parlamentar do PSD Luís Montenegro e o atual vice-presidente da Câmara de Cascais, Miguel Pinto Luz.