Montenegro quer estratégia consensualizada com oposição para investir mais 1.300 ME em defesa
15 de jul. de 2025, 10:44
— Lusa/AO Online
Luís Montenegro, que
falava numa conferência organizada pela SIC Notícias intitulada “A nova
Defesa”, no concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, salientou que
atingir os objetivos de investimento nesta área de soberania implica uma
estratégia consensualizada com a oposição.Na
ótica do primeiro-ministro, que foi hoje desafiado pelo
secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, para um “Acordo Estratégico
para um Plano de Desenvolvimento Nacional e de Capacitação da Defesa”
com um prazo definido de três meses, esta estratégia “será tão mais
credível, interna e externamente, quanto maior apoio político tiver”.O
chefe do executivo considerou o PS “essencial” para definir um objetivo
a longo prazo e garantiu dialogar com todos os partidos, reconhecendo
que o objetivo de atingir 5% do PIB em investimentos em Defesa, assumido
na cimeira da NATO, no mês passado”, é “ambicioso”.“Antecipámos
para o ano de 2025 um ambicioso objetivo de alcançar 2% do Produto
Interno Bruto (PIB) [em Defesa] o que implica um acréscimo de despesa na
ordem de mil e trezentos milhões de euros”, afirmou Luís Montenegro.De
acordo com o chefe do executivo, que até agora tinha referido um
aumento de investimento de cerca de mil milhões de euros até ao final do
ano, este objetivo será alcançado de três formas, nomeadamente através
da “manutenção e reforço do apoio à Ucrânia”.“Um
segundo eixo é o reforço das nossas capacidades antecipando alguns dos
objetivos que tínhamos traçado para os próximos anos, no fundo, acelerar
a aquisição de equipamentos, e o alcançar de metas relativamente a
investimentos em infraestruturas”, enumerou, depois de já ter anunciado
que o executivo pretende antecipar verbas da Lei de Programação Militar
(LPM).Por último, o Governo está a fazer
uma “reclassificação e reavaliação de alguns investimentos que estão em
curso e outros que vão ser efetuados” de “natureza dual”, ou seja, de
uso militar mas também civil.Luís
Montenegro defendeu que o país deve olhar para este novo ciclo “não como
um ciclo onde vamos gastar mais dinheiro e passar mais cheques, mas
como um ciclo onde vamos investir para ter retorno, para tirar
proveito”.Quanto à meta dos 5% do PIB até
2035, acordada na cimeira da NATO do mês passado, o primeiro-ministro
assegurou que o Governo quer cumpri-la através de “pequenos incrementos
anuais” numa “trajetória ascendente e credível”.Neste
ponto, o chefe do executivo salientou que todos os aliados se
comprometeram com esta meta, incluindo a Espanha, adiantando que também
escreveu uma carta ao secretário-geral da NATO que não quis tornar
pública.Interrogado sobre como é que este
investimento se conjuga com a manutenção do Estado Social, Montenegro
explicou que o objetivo “é mais ambicioso do ponto de vista da sua
execução material do que da sua execução financeira”, realçando a
dificuldade em adquirir rapidamente material militar que não estava
previamente encomendado.O
primeiro-ministro manteve a convicção de que o país terá excedente
orçamental no final do ano e salientou que, no futuro, o Governo “terá
de ter uma gestão orçamental que vá alocar para a área da defesa maior
investimento do que aquilo que é a tradição dos últimos anos”.Tal
faz-se “priorizando investimentos” e não “cortando noutros”, mas também
olhando para o retorno financeiro que o setor da defesa pode gerar.Montenegro
salientou ainda a importância da reforma do Estado para “libertar
recursos financeiros” que podem ser investidos em áreas como saúde,
educação ou habitação.“É este plano que,
visto de uma forma transversal, também tem de libertar os recursos
suficientes para investirmos na defesa”, concluiu.